CÂMBIO E MOEDAS
| Indicador | Valor (Fechamento) | Variação |
|---|---|---|
| USD/BRL (Spot) | R$ 5,1928 | -1,35% |
| PTAX Venda | R$ 5,2194 | -0,30% |
| EUR/BRL (Spot) | R$ 6,0234 | -0,07% |
| DXY (Índice Dólar) | 99,45 pontos | -0,51% |
O mercado de câmbio encerrou a última sessão com uma vitória técnica relevante para os importadores: o dólar spot finalmente rompeu a barreira psicológica dos R$ 5,20, fechando em R$ 5,1928. Esse movimento de queda de 1,35% foi sustentado pelo arrefecimento global da moeda americana, com o índice DXY consolidando-se abaixo dos 100 pontos pela primeira vez em semanas. No entanto, é fundamental observar a distorção entre o spot e a PTAX de venda, que encerrou em R$ 5,2194. Para o CFO, isso significa que o custo de liquidação de obrigações via PTAX ainda não capturou todo o alívio do final do dia, mas a tendência de abertura aponta para uma janela de oportunidade para o fechamento de câmbio pronto. O Euro, por sua vez, mostrou maior resiliência e fechou praticamente estável a R$ 6,02, indicando que a força relativa da moeda comum europeia continua penalizando quem possui supply chain concentrada na zona do euro em comparação com fornecedores dolarizados.
COMMODITIES
| Commodity | Valor (Fechamento) | Variação |
|---|---|---|
| Brent (Petróleo) | 102,82 US$/barril | -13,12% |
| Ouro | 4.770,00 US$/oz | +2,63% |
| Soja | 1.164,50 US$/bushel | -0,56% |
| Milho | 452,50 US$/bushel | -1,15% |
O cenário das commodities encerrou a última sessão com um paradoxo gritante. O petróleo Brent registrou um tombo histórico de 13,12%, fechando a 102,82 dólares por barril. Este movimento sugere uma forte realização de lucros e a percepção de que a demanda global pode estar esfriando mais rápido do que o choque de oferta. Para o gestor de comércio exterior, isso sinaliza um alívio potencial nas sobretaxas de combustível (BAF) no curto prazo. Contudo, esse otimismo deve ser moderado pela disparada de 2,63% no Ouro, que atingiu 4.770 dólares. A valorização do metal precioso é a prova cabal de que o "smart money" ainda teme o pior no Oriente Médio, especialmente após a confirmação de que um míssil iraniano atingiu um petroleiro no Catar. No complexo agrícola, a leve queda da soja e do milho favorece a margem de importadores de insumos, mas a volatilidade do frete marítimo decorrente do risco de guerra continua sendo o fator de custo mais imprevisível.
JUROS E RISCO
| Indicador de Risco | Valor (Fechamento) | Variação |
|---|---|---|
| SELIC (Taxa Básica) | 14,75% a.a. | Estável |
| US Treasury 10Y | 4,31% | -0,71% |
| VIX (Índice do Medo) | 24,49 pontos | -3,01% |
No campo dos juros, a estabilidade da Selic em 14,75% mantém o cenário de custo de capital restritivo para o empresário brasileiro. Antecipações de recebíveis e linhas de FINIMP em moeda nacional seguem caras, exigindo uma gestão cirúrgica do capital de giro. Por outro lado, o encerramento das Treasuries de 10 anos em 4,31% (queda de 0,71%) e o recuo de 3,01% no índice VIX sugerem que o mercado internacional está tentando "normalizar" o estresse geopolítico. Para as empresas que operam com hedge cambial, a queda nos juros americanos é positiva, pois reduz o custo de carregamento das travas (cost-of-carry). No entanto, o nível do VIX ainda acima dos 20 pontos indica que a calmaria é frágil. Recomenda-se aproveitar o momento de recuo da volatilidade para reavaliar as garantias de crédito e a exposição de curto prazo.
NOTÍCIAS DO DIA
- Ataque no Catar — O governo confirmou que um míssil iraniano atingiu um petroleiro, escalando drasticamente o risco logístico no Golfo Pérsico e disparando "war risk surcharges". Fonte ↗
- Atrito na OMC — O Brasil bloqueou uma proposta dos EUA na OMC, abrindo caminho para possíveis retaliações comerciais que podem afetar a importação de componentes tecnológicos americanos. Fonte ↗
- Logística Reversa no STF — A corte validou a cobrança de Imposto de Importação sobre produtos brasileiros que retornam ao país após reparos, elevando o custo de assistência técnica internacional. Fonte ↗
- Reembolso Tarifário EUA — Criação de portal para devolver US$ 166 bilhões em tarifas da era Trump abre oportunidade de recuperação de créditos para empresas com subsidiárias nos EUA. Fonte ↗
- Nota Técnica 12/2026 — Detalha a redução de incentivos fiscais federais pela LC 224/2025, exigindo revisão imediata do planejamento tributário na nacionalização de produtos. Fonte ↗
- Trigo e Farinha — Indústria projeta alta imediata no preço da farinha para abril devido ao encarecimento do frete, pressionando o custo de insumos da cadeia alimentar. Fonte ↗
- Taxa das Blusinhas — Possível redução de impostos para compras internacionais de baixo valor acende alerta sobre competitividade no varejo nacional. Fonte ↗
- Querosene de Aviação (QAV) — Governo avalia corte de PIS/Cofins sobre combustível aéreo, o que pode aliviar custos de frete aéreo internacional para cargas críticas. Fonte ↗
O QUE MUDA PARA VOCÊ
-
Gestão de Frete e Seguros: O ataque direto a petroleiros no Golfo disparará a cobrança de "war risk surcharge" nos fretes. Revise seus contratos de logística e apólices de seguro de carga imediatamente.
-
Risco Diplomático na OMC: O bloqueio brasileiro contra os EUA eleva o risco de barreiras não-tarifárias punitivas. Importadores de tecnologia americana devem mapear fornecedores alternativos em outras jurisdições.
-
Planejamento Tributário: A Nota Técnica 12/2026 e a decisão do STF sobre logística reversa encarecem a nacionalização. Audite seus processos de retorno de mercadoria e revise o uso de incentivos fiscais para evitar perda de margem em abril.
-
Liquidez e Reembolsos: O portal de reembolsos tarifários nos EUA é uma fonte de caixa inesperada. Acione seu departamento financeiro ou consultoria internacional para auditar pagamentos de tarifas de importação feitos em solo americano nos últimos anos.
BASTIDORES DO MERCADO
- Comentam nos corredores que o TikTok cansou de ser apenas entretenimento e está vindo com tudo para o setor bancário; o pedido ao Banco Central para operar crédito e pagamentos no Brasil colocou as fintechs locais em alerta máximo sobre o poder de fogo dos chineses.
- Ficou no radar que a entrada da Advent na Natura é muito mais do que um investimento minoritário; a saída simultânea dos fundadores do conselho sinaliza que a "velha guarda" finalmente entregou as chaves para uma gestão focada em eficiência financeira extrema.
AGENDA ECONÔMICA
- 09:15 | EUA | Variação de Empregos Privados ADP (Mar) — Alta relevância para o câmbio.
- 09:30 | EUA | Vendas no Varejo (Mensal) (Fev) — Mede o vigor do consumo americano.
- 11:00 | EUA | PMI Industrial ISM (Mar) — Principal dado de atividade fabril global.
- 12:30 | EUA | GDPNow do Fed de Atlanta (Q1) — Projeção em tempo real do PIB americano.
O dia inicia com um respiro importante no valor do dólar e uma queda histórica no petróleo, mas o clima de calmaria é enganoso. O ataque confirmado no Golfo e a tensão diplomática do Brasil na OMC são fatores que podem reverter a queda do câmbio a qualquer momento. Para o gestor de comércio exterior, o foco deve ser aproveitar o dólar abaixo de R$ 5,20 para liquidações pendentes, enquanto se prepara para um aumento inevitável nos custos de seguro e frete internacional. O cenário tributário doméstico também exige atenção com a nova regulamentação de incentivos, que pode impactar as margens de abril de forma severa.
Bom dia e bons negócios.
Podcast
Morning Call Codexa
O briefing diário de inteligência de mercado para quem opera no comércio exterior. Ouça no Spotify, Apple Podcasts e demais plataformas.
Ouvir no Spotify
