Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX Venda R$ 5,0569 +0,10%
USD/BRL Spot R$ 5,0434 -0,16%
EUR/BRL Spot R$ 5,8738 -0,15%
DXY (Índice Dólar) 99,05 pts +0,15%

O encerramento da última sessão oficial de maio consolidou um cenário de queda de braço entre o fluxo comercial doméstico e a pressão global do dólar. Enquanto o índice DXY avançou ontem, refletindo o fortalecimento da moeda americana frente aos seus pares de economias desenvolvidas, o Real apresentou uma resiliência pontual no mercado spot, fechando na casa de R$ 5,04. Entretanto, para o gestor que olha para o custo de nacionalização, o dado que realmente importa é a PTAX de venda, que encerrou o mês a R$ 5,0569 — uma alta de 0,10% que ratifica um novo patamar de preço para o início de junho. O fechamento de maio com alta acumulada de 1,8% sinaliza que a barreira psicológica dos R$ 5,00 tornou-se um suporte técnico robusto. Na prática, o importador inicia este novo mês com uma base de custo cambial superior à vista em maio, o que exige uma revisão imediata das margens de precificação de itens importados. O descolamento entre spot e PTAX no último dia do mês é comum devido à disputa de investidores pela formação da taxa média, mas a tendência estrutural permanece de dólar fortalecido pela incerteza geopolítica e pela demora na queda dos juros americanos.


Commodities

Indicador Valor Variação
Petróleo Brent 94,03 US$/barril +2,15%
Diesel (Internacional) 3,63 US$/galão +2,63%
Gás Natural 3,34 US$/MMBtu +1,46%
Ouro 4.535,40 US$/oz -0,55%

O complexo energético encerrou a última sessão com uma valorização expressiva que deve acender o alerta para os custos de transporte internacional em junho. O Brent saltou 2,15%, fechando acima dos 94 dólares, enquanto o diesel no mercado externo acompanhou o movimento com alta de 2,63%. Este avanço global reflete a persistência das tensões no Oriente Médio e a manutenção dos cortes de oferta pela OPEP+. Para o importador brasileiro, o impacto é direto: espere por revisões para cima nas sobretaxas de combustível (Bunker) nas próximas janelas de embarque marítimo. Por outro lado, há um componente de compensação doméstica importante: a redução de R$ 0,35 no diesel nas refinarias da Petrobras, suportada por nova subvenção governamental, deve suavizar o impacto do frete rodoviário de última milha. Já o gás natural, que encerrou ontem em alta de 1,46%, continua pressionando o custo de produção de químicos e polímeros no hemisfério norte. O ouro, com leve queda, demonstra que parte da liquidez está saindo da proteção pura para buscar rendimentos em ativos atrelados ao dólar, dada a resiliência das taxas americanas.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC (Brasil) 14,50% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,45% -0,04%
VIX (Índice de Medo) 15,76 pts +2,87%

O apetite por risco encerrou a sessão de ontem com sinais de fadiga. A alta de 2,87% no índice VIX sugere que os investidores estão recompondo posições defensivas antes de uma semana carregada de dados industriais e de emprego nos Estados Unidos. O fato de o rendimento da Treasury de 10 anos ter recuado levemente para 4,45% oferece um alívio técnico importante para o custo de linhas de financiamento como FINIMP e ACC, mas não anula a percepção de que os juros externos ficarão em patamares elevados por mais tempo. No cenário doméstico, a Selic mantida em 14,50% consolida o Real como um dos portos seguros para o carry trade global, mas o custo financeiro para a antecipação de recebíveis e manutenção de estoques continua sendo o maior desafio para o fluxo de caixa das importadoras. A estabilidade dos juros longos americanos ontem é um sinal positivo para o fechamento de operações de hedge de longo prazo, aproveitando a relativa calma nas taxas antes da abertura dos mercados nesta manhã.


Notícias do Dia

  • Petrobras reduz preço do diesel em R$ 0,35 por litro nas refinarias — A queda de 9,59% no preço de saída busca compensar a pressão logística e aliviar o custo do frete rodoviário doméstico. Fonte ↗
  • Atividade industrial na China estagna em maio e gera dúvidas sobre demanda — O desaquecimento fabril chinês aumenta o poder de negociação do comprador brasileiro para descontos em itens FOB. Fonte ↗
  • Dólar fecha maio com alta de 1,8% e se consolida acima de R$ 5,00 — A resistência técnica do câmbio em patamares elevados exige ajustes nos orçamentos de nacionalização para junho. Fonte ↗
  • Reforma tributária gera impasse sobre benefícios na Zona Franca de Manaus — Incertezas sobre a manutenção de incentivos podem afetar o planejamento de custos em eletrônicos e informática. Fonte ↗
  • Conflitos no Oriente Médio encarecem insumos têxteis no interior paulista — A guerra impacta diretamente as matérias-primas via custo logístico e de energia, exigindo diversificação de sourcing. Fonte ↗
  • EUA iniciam investigação sobre o Pix por supostas práticas restritivas — Uma retaliação comercial pode afetar fluxos de pagamentos e remessas; o backoffice deve prever contingência via SWIFT. Fonte ↗
  • Ferrovia Bioceânica promete nova rota de 5 mil km para a China via Pacífico — O corredor ligando o Brasil a portos chilenos e peruanos reduzirá o lead time e a dependência do Canal de Panamá. Fonte ↗
  • Produção de estruvita nacional surge como alternativa a fertilizantes fosfatados — Inovação com dejetos suínos reduz a exposição cambial e o risco logístico para o setor químico e agrícola. Fonte ↗
  • Empresários brasileiros em alerta para novas tarifas dos EUA nesta semana — O risco de protecionismo americano sugere antecipar o desembaraço de bens de capital para evitar surpresas fiscais. Fonte ↗
  • Governo estende descontos sobre QAV e biodiesel para conter inflação de frete — A prorrogação da desoneração alivia o Fuel Surcharge no frete aéreo; oportunidade de revisar cotações spot. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Negociação de Frete: A redução de R$ 0,35 no diesel da Petrobras permite uma renegociação imediata das tabelas de frete rodoviário e logística de última milha.

  • Sourcing Asiático: A estagnação fabril na China aumenta o poder de barganha para negociar descontos ou prazos estendidos em compras FOB junto a fornecedores asiáticos.

  • Pagamentos Internacionais: A investigação americana sobre o Pix pode gerar instabilidade em sistemas de pagamento; mantenha canais tradicionais (SWIFT) prontos para contingência.

  • Gestão Tributária: O risco de novas tarifas dos EUA sugere antecipar o desembaraço de bens de capital americanos para evitar surpresas tributárias na nacionalização.

  • Logística Aérea: A prorrogação de descontos no QAV alivia a pressão sobre o Fuel Surcharge no frete aéreo; revise as cotações spot com seus agentes de carga.


Bastidores do Mercado

  • Comentam nos corredores que a saída de Luciano Guimarães da vice-presidência da BeFly é apenas o primeiro dominó de uma reestruturação muito maior. O burburinho é que o movimento deve desfalcar outras áreas estratégicas da holding e já tem headhunter de plantão na Faria Lima buscando nomes para evitar uma debandada para concorrentes diretos.
  • Ficou no radar que a investigação do governo Trump sobre o Pix não é vista pelas fintechs apenas como técnica, mas como um movimento político. A conversa entre operadores é que a pressão americana tenta proteger o domínio das bandeiras de cartões, que perdem espaço para o modelo brasileiro em transações bilaterais.

Agenda Econômica

  • 08:25 | Brasil | Boletim Focus — Relevância: Alta
  • 10:45 | EUA | PMI Industrial (Mai) — Relevância: Alta
  • 11:00 | EUA | PMI Industrial ISM (Mai) — Relevância: Altíssima
  • 11:00 | EUA | Preços no Setor Manufatureiro ISM — Relevância: Alta
  • 12:30 | EUA | GDPNow do Fed de Atlanta (Q2) — Relevância: Média
  • 02:50 (Amanhã) | EUA | Discurso de Kashkari (FOMC) — Relevância: Alta
  • 11:00 (Amanhã) | EUA | Ofertas de Emprego JOLTS — Relevância: Altíssima

O cenário para hoje é de volatilidade importada, com a divulgação de indicadores industriais de peso nos Estados Unidos a partir das 10:45. O dólar spot inicia o mês de junho tentando se consolidar abaixo dos R$ 5,05, mas o ambiente externo de cautela e a estagnação industrial na China mantêm o prêmio de risco elevado para moedas emergentes. Operacionalmente, a redução do diesel doméstico e os incentivos ao querosene de aviação abrem uma janela tática para otimização de custos logísticos internos e fretes aéreos. Recomendamos atenção redobrada à liquidez do mercado durante a manhã e a revisão de orçamentos de nacionalização diante da consolidação do câmbio em patamares mais altos.

Bom dia e bons negócios.


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