Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX Venda R$ 5,1950 +0,36%
USD/BRL Spot R$ 5,2088 +0,66%
EUR/BRL Spot R$ 5,9416 +0,71%
DXY Index 101,06 pts -0,33%

O mercado de câmbio encerrou a última sessão sob forte pressão compradora, resultando no rompimento técnico da barreira psicológica dos R$ 5,20 no mercado à vista. O fechamento em R$ 5,2088 é um sinal de alerta para importadores, especialmente pelo descolamento observado frente ao cenário global: enquanto o índice DXY recuou 0,33%, o Real se desvalorizou de forma acentuada. Esse movimento sugere que o risco doméstico e a ansiedade pré-Payroll nos Estados Unidos pesaram mais do que o fluxo internacional de moedas. Para o gestor de comércio exterior, o encerramento da sessão anterior consolidou uma deterioração no Landed Cost para nacionalizações imediatas e exige uma revisão urgente das ordens de stop-loss. O Euro acompanhou a tendência, fechando em alta de 0,71%, o que encarece as operações originárias da União Europeia logo na abertura dos negócios.


Commodities

Indicador Valor Variação
Petróleo Brent 70,56 US$/bbl -1,41%
Ouro 4.078,00 US$/oz +0,24%
Gás Natural 3,19 US$/MMBtu -1,06%
Diesel (NY Harbor) 3,18 US$/gal -1,13%

O complexo de commodities apresentou um fechamento de retração nos preços energéticos, trazendo um alívio tangível para as cadeias logísticas. O petróleo Brent encerrou ontem em 70,56 dólares, com queda de 1,41%, enquanto o diesel internacional acompanhou o movimento ao recuar para 3,18 dólares por galão. No Brasil, essa descompressão ganha força com o anúncio da Petrobras de uma redução agressiva de 14,5% no querosene de aviação (QAV) para o mês de julho. Para diretores financeiros, essa combinação sinaliza uma oportunidade imediata de reduzir custos de transporte. Contudo, o ouro fechou em leve alta, indicando que, apesar do alívio nos insumos industriais, investidores globais continuam mantendo posições defensivas antes da bateria de indicadores econômicos americanos que serão divulgados hoje pela manhã.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC (Meta) 14,25% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,37% -0,46%
VIX (Volatilidade) 16,70 pts +0,66%

O ambiente de risco global encerrou a última sessão com os rendimentos das Treasuries de 10 anos em queda, fechando a 4,37%. Embora esse movimento favoreça teoricamente a liquidez para mercados emergentes, o Real não conseguiu capitalizar esse alívio, evidenciando que o prêmio de risco exigido para ativos brasileiros aumentou. O índice VIX registrou alta de 0,66%, refletindo a cautela crescente com as tensões comerciais entre as grandes potências. No plano doméstico, a Selic mantida em 14,25% garante um diferencial de juros elevado, mas que se mostrou insuficiente para conter a escalada do dólar no fechamento anterior. Para o planejamento financeiro, o custo do capital internacional permanece estável, mas a volatilidade do câmbio no fechamento exige atenção redobrada na estruturação de linhas de FINIMP e ACC, onde o custo efetivo pode ser corroído pela variação da moeda antes da liquidação.


Notícias do Dia

  • Dólar volta a superar os R$ 5,20 puxado pelo exterior — O rompimento da barreira técnica eleva o Landed Cost de mercadorias não nacionalizadas; diretores devem revisar ordens de stop-loss. Fonte ↗
  • BC amplia acesso de empresas a contas em moeda estrangeira — Facilita a gestão de caixa multimoeda e reduz custos de spread em remessas futuras; avalie a abertura de conta local em dólar. Fonte ↗
  • Argentina zera imposto de exportação de veículos — Reduz o custo de aquisição de componentes e veículos do país vizinho; momento de renegociar tabelas de preços com fornecedores argentinos. Fonte ↗
  • Petrobras reduz preço do QAV em 14,5% para julho — Impacto direto na redução do Fuel Surcharge em fretes aéreos internacionais; cobre a atualização dos custos dos agentes de carga. Fonte ↗
  • Brasil critica tarifas de até 50% da UE sobre o aço — A reação sinaliza possíveis retaliações brasileiras; importadores devem mapear origens alternativas fora da Europa para evitar riscos de suprimento. Fonte ↗
  • Classificação fiscal é eixo estratégico na Reforma Tributária — A transição exige precisão extrema na NCM para garantir creditamento de IBS/CBS; recomende uma auditoria preventiva em sua base de dados. Fonte ↗
  • EUA sancionam empresas brasileiras por ligações ilícitas — Eleva o risco de compliance; o backoffice deve rodar um check de sanções (OFAC) em toda a cadeia para evitar bloqueios bancários. Fonte ↗
  • GWM utiliza Portocel (ES) como novo hub logístico — Consolida o Espírito Santo como alternativa eficiente a Santos para produtos de alto valor; cote rotas via ES para reduzir custos de armazenagem. Fonte ↗
  • Brasil alerta EUA que tarifaço é remédio inapropriado — O acirramento das tensões aumenta o risco de barreiras recíprocas; revise contratos de longo prazo prevendo cláusulas de alteração tributária. Fonte ↗
  • EUA exigirão negociações anuais com México e Canadá — Sinaliza o fim do automatismo comercial e o avanço do protecionismo americano; planeje cenários de diversificação de sourcing de insumos. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Hedge Natural: A abertura de contas locais em dólar permitida pelo BC facilita a compensação de faturas e reduz drasticamente o spread bancário em operações recorrentes.

  • Custo de Nacionalização: O rompimento de R$ 5,20 no dólar exige a revisão imediata do Landed Cost e dos níveis de stop-loss em ordens de câmbio programadas.

  • Frete Aéreo: A redução de 14,5% no QAV anunciada pela Petrobras permite a renegociação imediata da sobretaxa de combustível (Fuel Surcharge) em contratos de frete aéreo.

  • Risco Protecionista: As tarifas europeias sobre o aço e as novas exigências americanas elevam o risco de barreiras recíprocas; mapeie fornecedores alternativos fora do eixo EUA-UE.

  • Janela Argentina: A isenção de imposto de exportação na Argentina cria uma janela técnica para renegociar preços de aquisição de veículos e autopeças antes que as margens locais se ajustem.


Bastidores do Mercado

  • O comentário nas mesas é que o Nubank partiu para o ataque e formalizou a proposta para comprar a unidade brasileira do Banco Caixa Geral, o maior de Portugal; a tacada seria o atalho perfeito para o roxinho avançar de vez sobre o segmento de alta renda e crédito estruturado.
  • Ficou no radar que a Warren agora fala espanhol com a venda para a argentina Cocos Capital; o movimento marca a chegada agressiva dos hermanos no varejo de investimentos do Brasil e sinaliza que a consolidação das corretoras independentes por aqui ainda tem muita lenha para queimar.

Agenda Econômica

  • 06:00 | Brasil | IPC-Fipe (Mensal) (Jun) — relevância média
  • 08:45 | EUA | Discurso de Mary Daly (FOMC) — relevância média
  • 09:30 | EUA | Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego — relevância alta
  • 09:30 | EUA | Relatório de Emprego (Payroll) não-agrícola (Jun) — relevância alta
  • 09:30 | EUA | Taxa de Desemprego nos EUA (Jun) — relevância alta
  • 17:30 | EUA | Balanço Patrimonial do Federal Reserve — relevância alta

A perspectiva para o dia é de volatilidade extrema e alta liquidez concentrada na abertura do mercado, devido à divulgação simultânea do Payroll e da taxa de desemprego nos Estados Unidos às 09:30. Operacionalmente, a redução de preços do QAV e a queda do diesel internacional oferecem uma contrapartida positiva para o planejamento de fretes, mas o rompimento técnico do dólar acima de R$ 5,20 domina as atenções dos gestores financeiros. Recomendamos cautela máxima nas operações de câmbio pronto antes da divulgação dos dados americanos, que definirão a tendência da moeda para o encerramento da semana.

Bom dia e bons negócios.


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