CÂMBIO E MOEDAS
| Ativo | Valor | Variação |
|---|---|---|
| USD/BRL PTAX (Venda) | R$ 4,9242 | -0,70% |
| USD/BRL Spot | R$ 4,9101 | -1,50% |
| EUR/BRL Spot | R$ 5,7851 | -0,67% |
| DXY (Índice Dólar) | 97,71 pontos | -0,78% |
O encerramento da última sessão foi marcado por uma forte valorização do Real, com o dólar spot recuando 1,50% para fechar em R$ 4,9101, o menor nível em meses. Esse movimento foi impulsionado pelo enfraquecimento global do dólar (DXY -0,78%) e pela redução das tensões geopolíticas. No entanto, a aproximação do patamar de R$ 4,90 acionou o Banco Central, que anunciou leilões de swap reverso para conter a queda excessiva da moeda.
Para o importador, o cenário abriu uma janela técnica excepcional de custo, especialmente no Euro, que atingiu mínimas de dois anos. O descolamento da PTAX de venda (R$ 4,9242) em relação ao spot sugere que o mercado testou um piso psicológico onde a autoridade monetária brasileira se sente desconfortável, sinalizando que novas quedas podem ser limitadas por intervenções diretas ao longo do dia. O momento é de execução estratégica para quem possui faturas em aberto.
COMMODITIES
| Commodity | Preço | Variação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | 97,96 US$/barril | -10,84% |
| Ouro | 4.723,10 US$/oz | +3,67% |
| Soja | 1.202,00 US$/bushel | +0,52% |
| Milho | 469,25 US$/bushel | +0,81% |
O mercado de commodities registrou um fechamento de extremos na última sessão. O petróleo Brent despencou mais de 10%, encerrando abaixo dos 98 dólares, refletindo a mudança de postura diplomática dos EUA em relação ao Irã e a suspensão temporária de sanções. Esta queda representa um alívio massivo e imediato para a composição do frete internacional e do bunker, que vinha pressionando o landed cost das importações brasileiras de forma severa nas últimas semanas.
Em contrapartida, o ouro saltou 3,67%, indicando que, embora o risco físico do petróleo tenha caído, os investidores ainda buscam proteção institucional contra incertezas políticas latentes. No complexo agrícola, milho e soja registraram altas leves, o que mantém a pressão sobre os custos de insumos industriais. Para o gestor de comércio exterior, o foco agora deve ser a renegociação de sobretaxas de combustível que foram infladas recentemente, exigindo uma revisão das planilhas de frete spot.
JUROS E RISCO
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| SELIC | 14,50% a.a. | Estável |
| US Treasury 10Y | 4,42% | -0,67% |
| VIX (Volatilidade) | 16,33 pontos | -6,04% |
O ambiente de risco encerrou a última sessão em um tom nitidamente positivo (risk-on). O índice VIX, conhecido como o termômetro do medo, caiu 6,04%, fechando em 16,33 pontos, o que favorece o fluxo de capitais para mercados emergentes e reduz o custo dos derivativos de proteção (hedge). A queda nos rendimentos das Treasuries de 10 anos nos EUA para 4,42% também retirou pressão sobre o Real, permitindo a valorização da moeda brasileira vista no câmbio spot.
Internamente, a Selic mantida em 14,50% continua oferecendo um carrego (carry trade) muito atrativo para o investidor estrangeiro, servindo como uma âncora para a taxa de câmbio. Para as empresas importadoras, este alívio nos juros americanos e na volatilidade global reduz o prêmio de risco exigido em operações de crédito internacional, facilitando a contratação de FINIMP, ACC e outras linhas de capital de giro atreladas ao câmbio com spreads mais competitivos.
NOTÍCIAS DO DIA
- Banco Central anuncia leilão de swap reverso após dólar testar R$ 4,90 — O BC entrou no mercado para frear a valorização do Real, sinalizando que R$ 4,90 é um piso indesejado. Fonte ↗
- Euro atinge menor valor desde junho de 2024 e abre janela de oportunidade — A queda permite a liquidação de faturas europeias com o melhor custo-benefício em quase dois anos. Fonte ↗
- Receita Federal altera regras do OEA e condiciona benefícios — Mudanças exigem revisão imediata dos checklists de conformidade para manter o canal verde no desembaraço. Fonte ↗
- Latam projeta gasto extra de R$ 3 bilhões com combustível — O aumento do QAV impactará as taxas de Air Freight Surcharge; revise orçamentos de frete aéreo para maio. Fonte ↗
- Trump suspende Projeto Liberdade para tentar acordo com Irã — Sinaliza descompressão no petróleo e possível redução das sobretaxas de risco de guerra no bunker marítimo. Fonte ↗
- Porto de Paranaguá bate recorde de carros chineses — Consolida rota alternativa e eficiente ao Porto de Santos para operações Roll-on/Roll-off com descarga em 17h. Fonte ↗
- CLDF mantém benefícios fiscais de ICMS até o final de 2026 — Garante a previsibilidade do planejamento tributário para empresas com hubs de distribuição no Distrito Federal. Fonte ↗
- Terminal de Vila Velha (TVV) investe R$ 35 milhões em expansão — Foca em atrair cargas dos portos de Santos e Rio, oferecendo alternativa para fugir de gargalos logísticos. Fonte ↗
- Justiça define regra para salários em moeda estrangeira — Conversão deve usar a cotação do dia da contratação, trazendo previsibilidade para o passivo trabalhista internacional. Fonte ↗
- Lula viaja aos EUA para negociar fim de medidas antidumping — A pauta foca na redução de custos de importação para insumos industriais americanos como químicos e aço. Fonte ↗
O QUE MUDA PARA VOCÊ
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Ação no Câmbio: A intervenção do Banco Central com swap reverso indica que R$ 4,90 é o piso atual; considere antecipar o fechamento de câmbio pronto para garantir as taxas mínimas da semana antes de uma correção de alta.
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Conformidade Aduaneira: As novas restrições no programa OEA exigem auditoria imediata dos checklists de importação para evitar a queda de benefícios e o aumento do tempo de desembaraço por canal amarelo ou vermelho.
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Custos Logísticos: O aumento projetado no custo de combustível pela Latam deve elevar o Air Freight Surcharge; revise orçamentos de cargas aéreas críticas para maio e avalie migração para o modal marítimo se o lead time permitir.
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Alternativas Portuárias: A consolidação de Paranaguá para cargas Roll-on/Roll-off e a expansão do TVV oferecem alternativas concretas para fugir dos gargalos e custos de estadia elevados em Santos e Rio.
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Passivo Trabalhista: A decisão judicial sobre salários em moeda estrangeira traz segurança jurídica para o Financeiro, permitindo travar o custo na data da contratação e evitar surpresas com a volatilidade futura.
BASTIDORES DO MERCADO
- Comentam nos corredores que o ex-presidente do Credit Suisse, José Olympio Pereira, foi o anfitrião de um jantar para Flávio Bolsonaro em Miami; o movimento é lido na Faria Lima como um sinal de que grandes players já começaram a recalibrar suas alianças políticas para o próximo ciclo eleitoral.
- Ficou no radar que o governo Lula está rachado sobre o poder de veto em fusões de mineradoras; a disputa entre alas políticas sobre o controle de M&As no setor de extração está deixando investidores em alerta, já que o impasse ameaça travar grandes consolidações de ativos previstas para este semestre.
AGENDA ECONÔMICA
- 09:15 | EUA | Variação de Empregos Privados ADP (Abr) — Prévia definitiva do Payroll que dita a força do dólar global hoje.
- 09:30 | EUA | Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego — Principal termômetro semanal do vigor do mercado de trabalho americano (Amanhã).
- 15:00 | Brasil | Balança Comercial (Abr) — Dado fundamental que reflete o fluxo de divisas e influencia a força do Real (Amanhã).
- 17:30 | EUA | Balanço Patrimonial do Federal Reserve — Indicador de liquidez global de dólares (Amanhã).
O cenário para hoje é de monitoramento da intervenção do Banco Central. O recuo expressivo do dólar e do petróleo na última sessão traz um alívio necessário para a formação de preços e custos logísticos, mas o anúncio do swap reverso sugere que o espaço para novas quedas acentuadas do câmbio está se fechando. O foco do dia está na divulgação do dado de emprego ADP nos EUA às 09:15, que poderá dar novo fôlego à moeda americana caso venha acima do esperado. Recomendamos agilidade na fixação de taxas para obrigações vencendo em maio, aproveitando a janela técnica antes que a atuação do BC reequilibre as cotações para cima.
Bom dia e bons negócios.
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