CÂMBIO E MOEDAS

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 4,9274 +0,06%
USD/BRL Spot R$ 4,9236 -0,08%
EUR/BRL Spot R$ 5,7971 +0,52%
DXY (Index) 97,86 pts -0,16%

O mercado de câmbio encerrou a última sessão em um tom de estabilidade para o par USD/BRL, com o dólar spot fechando em leve queda a R$ 4,9236. A PTAX oficial de venda, no entanto, encerrou com uma variação marginal positiva de 0,06%, refletindo a cautela institucional antes da divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos que ocorrem entre hoje e amanhã. O índice DXY seguiu em trajetória de queda (-0,16%), mas o Real não conseguiu capturar essa desvalorização global do dólar com a mesma intensidade de outros pares, em parte devido à valorização do Euro, que encerrou em alta de 0,52%. Para o importador, o fechamento confirma a consolidação do dólar na faixa de R$ 4,92, sugerindo que o piso testado na semana anterior permanece como uma zona de forte suporte técnico para novas liquidações. O cenário de curto prazo indica que, sem um gatilho negativo no Payroll americano, a moeda brasileira deve flutuar em bandas estreitas, oferecendo uma previsibilidade necessária para a programação de pagamentos de faturas acumuladas.


COMMODITIES

Commodity Preço Variação
Petróleo Brent 99,44 US$/bbl -1,81%
Ouro 4.747,30 US$/oz +1,40%
Soja 1.196,00 US$/bu +1,44%
Milho 467,50 US$/bu +3,26%

O encerramento da última sessão trouxe um alívio pontual nos custos energéticos, com o petróleo Brent recuando 1,81% e fechando abaixo da barreira psicológica dos 100 dólares. Esta queda é fundamental para a estabilização das taxas de frete internacional e sobretaxas de combustível (bunker) no curto prazo, aliviando o landed cost das cargas embarcadas nesta semana. Por outro lado, o complexo agrícola apresentou uma pressão inflacionária robusta, com o milho disparando 3,26% e a soja subindo 1,44%. Este descasamento entre energia e alimentos sugere que o custo de originação de insumos industriais de base biológica continuará subindo, anulando parte da competitividade ganha com a estabilidade do câmbio. O avanço do ouro (+1,40%) para o patamar de 4.747 dólares indica que os grandes gestores de fundos globais ainda mantêm uma postura defensiva, protegendo-se contra eventuais surpresas inflacionárias ou novos focos de tensão geopolítica que podem impactar a liquidez mundial.


JUROS E RISCO

Indicador Taxa/Pontos Variação
SELIC 14,50% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,36% -1,36%
Índice VIX (Medo) 17,48 pts +0,52%

No ambiente de risco, o fechamento anterior foi marcado por uma queda significativa nos rendimentos das Treasuries de 10 anos nos EUA, que recuaram 1,36% para encerrar em 4,36%. Esse movimento sinaliza uma percepção crescente de que a política monetária americana pode ter atingido seu pico de restrição, o que costuma favorecer o fluxo de capital para o Brasil em busca de taxas reais de juros mais elevadas. Internamente, a Selic mantida em 14,50% continua sendo o principal fator de atratividade para o Real através do carry trade, mas também mantém o custo do crédito comercial doméstico extremamente oneroso. O índice VIX subiu levemente para 17,48 pontos, indicando que a volatilidade ainda está presente no radar, impedindo uma valorização mais expressiva dos ativos emergentes. Para as empresas importadoras, a queda dos juros longos americanos reduz a pressão sobre o prêmio de risco em taxas de financiamento internacional, tornando modalidades como o FINIMP e o ACC significativamente mais competitivas do que o crédito comercial em Reais.


NOTÍCIAS DO DIA

  • Governo Federal — Estuda revogação da taxa de importação para remessas de até US$ 50 no e-commerce internacional, o que pode alterar o equilíbrio de preços no varejo. Fonte ↗
  • Tribunal de Justiça do Amazonas — Valida cobrança de ICMS em importações que utilizem contratos irregulares, reforçando a necessidade de conformidade documental rigorosa.
  • MDIC — Publica regras para acesso ao crédito de R$ 21,2 bilhões do Programa Move Brasil para a indústria modernizar parques fabris via importação. Fonte ↗
  • XP Investimentos — Analistas projetam tendência de queda adicional para o dólar com alvo técnico em R$ 4,76, sustentada por fluxos de investimento. Fonte ↗
  • Frete Marítimo — Relatórios globais indicam o fim da era de estabilidade nos custos devido a desvios de rotas sistemáticos e gargalos operacionais. Fonte ↗
  • Operação Portorium — Desarticula esquema criminoso de sonegação de R$ 102 milhões em ICMS na importação, sinalizando aumento de fiscalização em portos. Fonte ↗
  • Porto de Santos — Leilão do Tecon Santos 10 entra em fase decisiva para aumentar a concorrência e reduzir gargalos históricos no maior hub nacional. Fonte ↗
  • Agronegócio — Preços internacionais do trigo fecham em queda em Chicago e aliviam custos para a indústria alimentícia nacional no curto prazo. Fonte ↗
  • Mineração — Câmara aprova Política Nacional de Minerais Críticos para controlar a exploração e processamento estratégico de Terras Raras no Brasil. Fonte ↗
  • Diplomacia — Encontro entre Lula e Donald Trump foca na revisão de medidas de defesa comercial e tarifas punitivas contra o aço brasileiro. Fonte ↗

O QUE MUDA PARA VOCÊ

  • Competitividade no Varejo: A possível queda do Imposto de Importação em remessas até US$ 50 altera a competitividade direta de importadores formais; reavalie suas estratégias de preço frente ao e-commerce cross-border.

  • Financiamento Industrial: O acesso ao crédito de R$ 21,2 bilhões do Move Brasil permite financiar a modernização de parques fabris via importação com taxas subsidiadas; consulte sua instituição financeira sobre o enquadramento.

  • Estratégia de Hedge: A projeção de dólar a R$ 4,76 sugerida pela XP indica que o importador pode fracionar o hedge cambial em vez de travar 100% da exposição no patamar atual de R$ 4,92.

  • Risco Tributário: A intensificação da fiscalização contra fraudes de ICMS exige auditoria imediata nos benefícios fiscais aplicados por seus parceiros logísticos e tradings para evitar responsabilidade solidária.

  • Gestão de Landed Cost: O recuo nos preços do trigo e a queda do petróleo Brent abaixo de US$ 100 oferecem uma janela para reduzir o custo total de nacionalização de insumos alimentares e fretes spot.


BASTIDORES DO MERCADO

  • Comentam nos corredores que o clima de "salve-se quem puder" tomou conta do Banco Master após Daniel Vorcaro entregar os anexos de sua delação à PGR; a abertura de uma CPI na ALERJ para investigar R$ 3 bilhões investidos pelo Rioprevidência e Cedae no banco é vista como o início de um efeito dominó que pode atingir outros fundos de pensão e tesourarias.
  • Ficou no radar que a vice-governadora do DF, Celina Leão, iniciou um "roadshow de emergência" na Faria Lima para tentar salvar o BRB; a articulação política busca investidores privados para o banco estatal brasiliense, numa tentativa desesperada de evitar uma intervenção mais drástica do Banco Central.

AGENDA ECONÔMICA

  • 09:30 | EUA | Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego — Alta relevância: termômetro do mercado de trabalho.
  • 09:30 | EUA | Pedidos Contínuos por Seguro-Desemprego — Alta relevância: indica resiliência do consumo.
  • 12:30 | EUA | GDPNow do Fed de Atlanta (Q2) — Média relevância: projeção de crescimento do PIB.
  • 15:00 | BR | Balança Comercial (Abril) — Alta relevância: fluxo de dólares no país.
  • 15:00 | EUA | Discurso de Kashkari (Membro do FOMC) — Alta relevância: sinalização de juros.
  • 17:30 | EUA | Balanço Patrimonial do Fed — Alta relevância: nível de liquidez global.

O cenário para hoje é de monitoramento atento aos dados semanais de emprego nos EUA e à balança comercial brasileira à tarde. O dólar spot encerrou a última sessão demonstrando resiliência próximo aos R$ 4,92, mas a agenda carregada desta manhã pode trazer volatilidade extra para as janelas de câmbio pronto. A redução no preço do barril de petróleo traz um alívio bem-vindo para a formação de custos logísticos, enquanto a projeção de novas quedas para a moeda americana abre espaço para estratégias de hedge mais flexíveis. Recomendamos aproveitar a estabilidade matinal para fechamentos urgentes antes da abertura dos dados americanos às 09:30.

Bom dia e bons negócios.


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