Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL Spot R$ 5,1687 +0,59%
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 5,1625 +0,18%
EUR/BRL Spot R$ 6,0384 +1,93%
DXY (Índice Dólar) 98,86 pts -0,79%

O mercado de câmbio encerrou a última sessão apresentando um descolamento atípico e preocupante para o importador brasileiro. Enquanto o dólar global (DXY) recuou fortemente para o patamar de 98 pontos, refletindo o otimismo internacional com a trégua no Oriente Médio, o Real não conseguiu acompanhar o movimento, sofrendo uma desvalorização que levou o dólar spot a fechar em alta de 0,59%, a R$ 5,1687. O cenário foi ainda mais severo para quem opera com a zona do euro, com a moeda europeia saltando quase 2% e rompendo a barreira psicológica dos R$ 6,03. Esse fenômeno sugere que questões internas de liquidez e a pressão sazonal de remessa de lucros estão sobrepondo-se ao alívio externo. Para o CFO, o momento exige cautela: o Real está "atrasado" em relação à melhora global, o que pode abrir uma janela técnica de correção nas próximas sessões caso o fluxo local se normalize.


Commodities

Commodity Valor Variação
Petróleo Brent 94,66 US$/bl -13,37%
Ouro 4808,80 US$/oz +3,26%
Soja 1159,75 US$/bu +0,13%
Milho 446,00 US$/bu -0,67%

A sessão anterior foi marcada por um movimento tectônico no mercado de energia: o petróleo Brent despencou mais de 13%, encerrando abaixo da barreira dos 95 dólares. Esse colapso de preços é o reflexo direto da dissolução do prêmio de risco geopolítico com a sinalização de cessar-fogo no Oriente Médio. Para quem importa, esta é a notícia mais relevante do semestre, pois retira a pressão sobre sobretaxas de combustível (bunker) que vinham asfixiando as margens logísticas. Curiosamente, o ouro seguiu em alta, atingindo o recorde de 4.808 dólares, o que indica que, embora o risco militar imediato tenha cedido, os grandes fundos ainda mantêm posições defensivas contra a inflação global. No complexo agrícola, a estabilidade predominou, sinalizando que o custo dos insumos alimentícios deve se manter previsível no curto prazo.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC (Brasil) 14,75% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,34% +0,18%
VIX (Índice do Medo) 20,43 pts -20,75%

O cenário de risco global experimentou um alívio súbito: o índice VIX, principal termômetro do nervosismo de Wall Street, mergulhou mais de 20%, fechando em 20,43 pontos. Esse recuo drástico sinaliza que o pânico sistêmico foi dissipado pelas negociações diplomáticas recentes. Contudo, o rendimento das Treasuries de 10 anos nos EUA subiu levemente para 4,34%, indicando que a resiliência da economia americana ainda pressiona os juros de longo prazo. No front doméstico, a Selic mantida em 14,75% continua a impor um custo de capital restritivo para as operações de FINIMP e ACC. O gestor financeiro deve notar que, embora o risco externo tenha "desinflado", o custo do capital no Brasil permanece elevado, sem sinais de queda no spread bancário para o importador no curto prazo.


Notícias do Dia

  • Trump e Irã sinalizam trégua e abertura imediata do Estreito de Ormuz — A descompressão geopolítica reduz o risco de blank sailings e sobretaxas de guerra nas rotas asiáticas. Fonte ↗
  • Dólar perde suporte global com recuo do índice DXY para 98 pontos — O alívio geopolítico retirou o prêmio de segurança da moeda, abrindo espaço para desvalorização global frente a emergentes. Fonte ↗
  • Receita Federal disponibiliza nova versão do PGD DCTF 3.9 — Atualizações críticas nos sistemas exigem revisão imediata do backoffice fiscal para evitar inconsistências. Fonte ↗
  • Decisão jurídica sobre novo conceito de 'praça' para IPI retroage — Mudança favorece a recuperação de créditos tributários pagos a maior em operações passadas de importadores.
  • Preço médio de importação de óleos combustíveis saltou 21,3% em março — Dados do MDIC confirmam a pressão estrutural de custos na logística e nacionalização de mercadorias. Fonte ↗
  • Erros na classificação fiscal (NCM) elevam impostos em compras internacionais — Falhas na valoração aduaneira e classificação geram pagamentos excessivos desnecessários no desembaraço. Fonte ↗
  • Alta de hardware e semicondutores força revisão do planejamento de TI — O custo acumulado do CAPEX tecnológico exige reestruturação dos orçamentos para o segundo semestre. Fonte ↗
  • Índia propõe moedas digitais dos BRICS para pagamentos diretos — A proposta visa reduzir o spread bancário e a dependência do dólar em remessas para fornecedores asiáticos. Fonte ↗
  • Balança comercial de março registra pior superávit desde 2020 — O recuo no saldo comercial sinaliza menor oferta estrutural de divisas no mercado local no médio prazo. Fonte ↗
  • Receita Federal debate 'transparência qualificada' na aduana — Novas diretrizes buscam acelerar o controle aduaneiro, exigindo maior conformidade documental das empresas. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Gestão de Fretes: A queda livre de 13% no petróleo Brent abre uma janela imediata para a renegociação de cláusulas de bunker e sobretaxas de combustível nos contratos de frete marítimo e aéreo.

  • Estratégia Cambial: O recuo do índice DXY para 98 pontos indica que a pressão global sobre o dólar cedeu; monitore a abertura para fechar câmbio pronto assim que o Real capturar este alívio internacional.

  • Compliance Fiscal: A nova versão do PGD DCTF 3.9 exige atualização mandatória nos sistemas ERP para evitar erros na transmissão de obrigações que podem travar a certidão negativa da empresa.

  • Oportunidade Tributária: A retroatividade no conceito de 'praça' para o IPI permite ao jurídico revisar pagamentos passados e protocolar pedidos de compensação de tributos pagos indevidamente.

  • Fluxo de Pagamentos: O avanço da proposta de moedas digitais dos BRICS deve ser acompanhado como uma futura via para reduzir spreads bancários em remessas para fornecedores na Ásia e Índia.


Bastidores do Mercado

  • Comentam nos corredores que a fritura da Squadra contra a Hapvida surtiu efeito imediato: a troca do CEO após a pressão pública dos acionistas é vista como um sacrifício necessário para tentar recuperar a confiança da Faria Lima e frear a percepção de destruição de valor da companhia.
  • Ficou no radar que Joesley Batista resolveu diversificar o império da J&F de um jeito inusitado ao entrar na reestruturação da Avibrás; o mercado comenta que a jogada mira o bilionário setor de defesa e mísseis, trazendo o polêmico empresário de volta ao centro das grandes movimentações industriais e de capital do país.

Agenda Econômica

  • 14:00 | EUA | Discurso de Mary Daly (FOMC) — relevância média
  • 15:00 | EUA | Atas da Reunião do FOMC — alta relevância

Iniciamos o dia com um cenário de descompressão global sem precedentes nos últimos meses. O tombo histórico do petróleo e o colapso do índice de volatilidade (VIX) são ventos favoráveis que devem, gradualmente, traduzir-se em custos logísticos menores e maior previsibilidade para o planejamento financeiro do importador. O foco operacional de hoje deve ser a atualização das obrigações fiscais perante a Receita Federal e a avaliação rigorosa das janelas de câmbio, monitorando se o Real finalmente acompanhará o recuo internacional do dólar visto ontem. No médio prazo, a queda do superávit comercial brasileiro acende um alerta sobre a liquidez futura de moeda estrangeira no mercado local, sugerindo que o hedge de longo prazo não deve ser abandonado mesmo com o alívio de hoje.

Bom dia e bons negócios.


Podcast

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