Câmbio e Moedas

Ativo Fechamento Variação
USD/BRL PTAX (Venda)R$ 4,9170-0,21%
USD/BRL SpotR$ 4,9229-0,19%
EUR/BRL SpotR$ 5,7916-0,04%
DXY (Índice Dólar)97,95 pts-0,31%

O mercado de câmbio encerrou a última sessão consolidando um movimento de valorização do Real, que se beneficiou diretamente do enfraquecimento global da moeda americana. O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes, recuou 0,31%, refletindo uma postura mais cautelosa dos investidores antes da divulgação de dados cruciais do mercado de trabalho nos EUA. No cenário doméstico, o dólar spot fechou em queda de 0,19%, a R$ 4,9229, mantendo-se em uma zona de suporte técnico extremamente relevante. A PTAX de venda, referência para diversos contratos de importação e derivativos, acompanhou o movimento e recuou para R$ 4,9170. O Euro também apresentou uma leve desvalorização, fechando a R$ 5,7916. Para o gestor de importação, este fechamento confirma a resiliência do Real frente ao cenário externo, embora a proximidade do patamar de R$ 4,90 possa começar a atrair atenção do Banco Central para evitar uma valorização que prejudique a balança comercial. O momento é de monitoramento, pois o mercado parece ter precificado um cenário de estabilidade antes do Payroll, o que pode gerar volatilidade nas janelas de liquidação de hoje.


Commodities

Ativo Fechamento Variação
Petróleo BrentUS$ 100,50/barril+0,44%
OuroUS$ 4.732,40/oz+0,69%
Soja (CBOT)US$ 1.193,25/bushel+1,38%
Milho (CBOT)US$ 466,25/bushel+2,98%

No encerramento da última sessão, o complexo de commodities apresentou um cenário de pressão altista generalizada, o que sinaliza desafios para a composição do custo de nacionalização de insumos. O milho foi o destaque negativo para o comprador, com um salto de quase 3%, seguido pela soja com alta de 1,38%. Esse movimento reflete preocupações com a oferta e ajustes técnicos nas bolsas internacionais. No setor de energia, o petróleo Brent encerrou com leve alta de 0,44%, sustentando-se acima da barreira psicológica dos 100 dólares. Este patamar é crítico, pois mantém elevados os custos de frete internacional e as sobretaxas de combustível (bunker surcharge). O avanço do ouro (+0,69%) reforça que, apesar do alívio cambial, o sentimento de busca por ativos de segurança permanece vivo no mercado financeiro global. Para o gestor de comércio exterior, o cenário é de neutralização: a queda do dólar, que deveria reduzir custos, está sendo combatida pelo encarecimento das matérias-primas e energia. É fundamental revisar as planilhas de landed cost para garantir que as margens operacionais não sejam corroídas por esse aumento silencioso dos custos de originação.


Juros e Risco

Ativo Taxa/Pontos Variação
SELIC (Meta)14,50% a.a.Estável
US Treasury 10Y4,39%+0,83%
VIX (Índice do Medo)17,07 pts-0,06%

O ambiente de juros encerrou a última sessão refletindo uma dicotomia importante para o CFO brasileiro. Nos Estados Unidos, o rendimento das Treasuries de 10 anos subiu 0,83%, alcançando 4,39%. Esse movimento precifica uma economia americana ainda resiliente, o que sugere que os juros externos permanecerão em patamares restritivos por mais tempo do que o inicialmente previsto. No Brasil, a Selic mantida em 14,50% continua sendo o principal pilar de sustentação para o valor do Real através do carry trade, mas o custo do capital doméstico segue extremamente elevado para as empresas. O índice VIX encerrou praticamente estável, com uma leve queda para 17,07 pontos, indicando que, embora não haja pânico, o mercado está em modo de espera. Para as empresas importadoras, a alta dos juros longos americanos encarece as linhas de financiamento internacional, o que torna fundamental uma análise comparativa rigorosa entre as taxas de FINIMP (atreladas à SOFR/Libor) e as linhas de capital de giro em Reais. O cenário sugere que as janelas de financiamento internacional podem ficar mais estreitas se os dados americanos continuarem a mostrar força.


Notícias do Dia

  • Lula e Trump estabelecem prazo de 30 dias para resolver impasses comerciais e tarifários — A definição de um cronograma curto para revisar tarifas sobre o aço e outros insumos abre uma janela para renegociação de contratos de suprimentos. Fonte ↗
  • Tribunal dos EUA decide contra tarifas globais de 10% impostas por Trump — A decisão judicial retira o suporte legal para uma sobretaxa que encareceria cadeias globais que utilizam os EUA como hub logístico.
  • STJ mantém cobrança de adicional de Cofins-Importação de medicamentos — Decisão definitiva que impacta o custo tributário direto para o setor farmacêutico, impedindo a recuperação de créditos sobre o adicional de 1%. Fonte ↗
  • BNDES define taxas de juros favorecidas para máquinas de alto teor tecnológico à indústria — O novo funding reduz o custo de capital para Capex, tornando a modernização via importação mais barata que o crédito comercial. Fonte ↗
  • Regulamento do IBS detalha ressarcimento na reforma tributária — A regulamentação define como importadores poderão reaver créditos acumulados, ponto crítico para a liquidez do fluxo de caixa operacional. Fonte ↗
  • EUA interceptam embarcações iranianas no Estreito de Ormuz — A volta das tensões físicas em Ormuz impacta diretamente o seguro de carga (war risk) e a cotação do bunker, encarecendo o frete marítimo global. Fonte ↗
  • Porto de Paranaguá desembarca recorde de 5.101 carros elétricos da China — Consolida Paranaguá como principal alternativa logística para cargas Roll-on/Roll-off, reduzindo a dependência dos gargalos de Santos. Fonte ↗
  • Japão intervém no câmbio e gasta US$ 30 bi para segurar o iene — A volatilidade artificial no par JPY/BRL afeta quem importa máquinas japonesas; a intervenção do BoJ pode criar janelas de liquidação atrativas. Fonte ↗
  • Comissão do Senado aprova isenção de imposto para pesquisas oncológicas — Nova isenção de II e IPI para insumos de saúde abre oportunidade para revisão imediata de custos em hospitais e centros de pesquisa. Fonte ↗
  • EUA e 18 membros da OMC anunciam isenção tarifária para comércio eletrônico — O acordo foca na simplificação de remessas, o que pode aumentar a concorrência de plataformas B2C estrangeiras contra o importador formal. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Revisão de contratos de aço: O prazo de 30 dias fixado entre Lula e Trump permite que importadores de aço e derivados planejem renegociações contratuais para junho.

  • Custo logístico nos EUA: A queda judicial das tarifas de 10% nos EUA retira um fator de custo extra para empresas que utilizam hubs americanos em sua logística internacional.

  • Margens farmacêuticas: A decisão do STJ sobre Cofins-Importação obriga o setor a ajustar o landed cost para evitar perdas imediatas de margem com o adicional de 1% não recuperável.

  • Financiamento de Capex: O novo crédito do BNDES para máquinas tecnológicas oferece uma alternativa de funding mais barata que o FINIMP bancário tradicional; consulte seu gerente.

  • Gestão de Iene: A intervenção do Japão no iene abre janelas súbitas para liquidação de faturas de peças japonesas com menor custo cambial; use ordens de stop para aproveitar os picos.


Bastidores do Mercado

  • Ficou no radar que o clima é de pânico após a fintech Naskar sumir com quase R$ 1 bilhão de clientes; o que mais impressiona as mesas de compliance na Faria Lima é o fato de um dos sócios ser um ex-atleta da Seleção Brasileira de Vôlei, transformando o caso no "sumiço" mais comentado do ecossistema de pagamentos.
  • Comentam nos corredores que o Patria decidiu aplicar um "choque de gestão" severo em seu FII de shoppings, sinalizando uma debandada dos ativos do Rio de Janeiro para concentrar todas as fichas em São Paulo; o movimento é visto como um veredito cruel da gestora sobre a rentabilidade do varejo fluminense comparado ao paulista.

Agenda Econômica

  • 08:30 | EUA | Discurso de Bowman (Membro do FOMC) — relevância média
  • 09:30 | EUA | Relatório de Emprego (Payroll) não-agrícola (Abr) — relevância alta
  • 09:30 | EUA | Taxa de Desemprego nos EUA (Abr) — relevância alta
  • 11:00 | EUA | Índice Michigan de Percepção do Consumidor (Mai) — relevância média
  • 12:30 | EUA | GDPNow do Fed de Atlanta (Q2) — relevância média
  • 16:30 | BR | BRL – Posições líquidas de especuladores (CFTC) — relevância média

O cenário para hoje é de volatilidade extrema com a divulgação do Payroll americano às 09:30. O dólar spot encerrou a última sessão demonstrando um suporte firme na região de R$ 4,92, mas o dado de emprego nos EUA tem potencial para romper essa faixa tanto para cima quanto para baixo. A estabilidade do petróleo próximo de 100 dólares e as novas tensões no Estreito de Ormuz sugerem que o frete internacional continuará como um componente de custo rígido. Recomendamos aguardar a absorção dos dados americanos matinais antes de grandes fechamentos de câmbio para evitar o pico de volatilidade do início do pregão. Acompanhe os desdobramentos sobre a intervenção no Iene se houver exposição à moeda japonesa.

Bom dia e bons negócios.


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