Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 4,9928 +0,24%
USD/BRL Spot R$ 4,9915 +0,13%
EUR/BRL Spot R$ 5,8769 +0,02%
DXY (Índice Dólar) 98,22 pts +0,17%

O mercado de câmbio encerrou a última sessão apresentando uma leve pressão de alta, com a PTAX de venda subindo 0,24% e fechando em R$ 4,9928. Apesar do dólar spot ainda se manter tecnicamente abaixo da barreira psicológica de R$ 5,00, o sinal de alerta foi acionado pela divulgação do fluxo cambial semanal: a saída líquida de US$ 1,303 bilhão registrada pelo Banco Central na última semana de abril começa a testar a resistência do Real. Este movimento sugere que o período de valorização acentuada da moeda brasileira pode estar encontrando um piso estrutural. O fortalecimento global do dólar, refletido no índice DXY a 98,22 pontos, indica que o cenário externo voltou a pesar contra os emergentes, enquanto o Euro demonstra resiliência, estacionado em R$ 5,87. Para o importador, o fechamento atual sinaliza que a janela de "oportunidade agressiva" pode estar se esgotando, tornando arriscada a estratégia de postergar fechamentos de câmbio na esperança de novas quedas substanciais antes da bateria de dados de atividade econômica que teremos hoje.


Commodities

Commodity Valor Variação
Petróleo Brent US$ 96,32 +1,46%
Ouro US$ 4.830,70 +0,64%
Soja US$ 1.163,75 -0,28%
Milho US$ 451,00 -0,06%

O petróleo Brent encerrou a última sessão em alta de 1,46%, cotado a 96,32 dólares, impulsionado pelo agravamento da pressão naval no Estreito de Ormuz e a manutenção da tensão geopolítica. Este movimento gera reflexos imediatos no ouro, que subiu para o patamar recorde de 4.830 dólares, consolidando a migração de capital para portos seguros. No complexo agrícola, houve uma leve correção negativa tanto na soja quanto no milho, o que oferece um respiro marginal para o custo de insumos da indústria de transformação. No entanto, para o gestor de comércio exterior, o foco principal deve ser o custo energético: a alta do petróleo e de seus derivados, como o asfalto, já começa a pressionar as planilhas de frete rodoviário de nacionalização porto-fábrica e as sobretaxas de bunker marítimo. Esse aumento do custo logístico está anulando parte expressiva do benefício obtido pela recente estabilidade cambial no desembarque das mercadorias.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC 14,75% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,28% +0,61%
VIX (Índice do Medo) 18,21 pts +0,22%

O rendimento das Treasuries de 10 anos nos EUA encerrou a 4,28% com alta de 0,61%, refletindo o ajuste rigoroso das expectativas de juros americanos frente à resiliência da economia norte-americana. Este avanço dos juros longos nos EUA drena liquidez dos mercados emergentes, justificando a saída de dólares do Brasil. O índice VIX manteve-se em 18,21 pontos, indicando que, embora não estejamos em um cenário de pânico aberto, a volatilidade está presente de forma latente e qualquer ruído geopolítico pode disparar ordens de venda. No Brasil, a Selic mantida em 14,75% continua a sustentar o carrego da moeda, mas o aumento do custo financeiro global eleva o prêmio de risco exigido pelos investidores internacionais. Para o CFO, este cenário reforça a importância do FINIMP como ferramenta fundamental de arbitragem financeira: com o custo do crédito doméstico permanecendo proibitivo, o financiamento internacional continua sendo a rota mais eficiente para a gestão de capital de giro e manutenção das operações de comércio exterior.


Notícias do Dia

  • Compensação Tributária — As novas regras da Receita para 2026 mudam radicalmente a gestão de créditos de PIS/Cofins acumulados em importações. Fonte ↗
  • Bloqueio Naval no Irã — Pressão no Estreito de Ormuz eleva o risco de repasses imediatos nos fretes internacionais e sobretaxas de bunker. Fonte ↗
  • Demanda Chinesa — China registra salto de 27,8% nas importações, sinalizando forte demanda interna que pode alongar lead times globais. Fonte ↗
  • Mercado de Potássio — Oferta recorde no Brasil derruba preços internacionais e abre janela estratégica para compra de fertilizantes. Fonte ↗
  • Maersk no Brasil — Ampliação da infraestrutura em Rio Grande e Paranaguá oferece rotas alternativas ao porto saturado de Santos. Fonte ↗
  • Cerco Fiscal no Varejo — Receita notifica redes de supermercados por supostas irregularidades na apropriação de créditos de importação. Fonte ↗
  • Fluxo Cambial — BC informa saída líquida de US$ 1,303 bilhão na semana de 10 de abril, testando o suporte do Real. Fonte ↗
  • Logística Rodoviária — Alta de insumos derivados de petróleo pressiona contratos de concessões e fretes internos de nacionalização. Fonte ↗
  • Protecionismo Europeu — União Europeia passa a exigir transferência de tecnologia em novos acordos de sourcing contra a China.
  • Cenário Geopolítico — Guerra no Irã e possíveis tarifas de Trump exigem planos de contingência urgentes para o Comex brasileiro. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Gestão de Créditos: As novas regras de compensação da Receita Federal exigem a revisão imediata do fluxo de caixa projetado para o uso de créditos tributários acumulados em 2026.

  • Logística Portuária: A expansão da Maersk em Rio Grande e Paranaguá oferece janelas logísticas para evitar o congestionamento e as sobretaxas de demurrage em Santos.

  • Lead Times: O aumento da demanda interna chinesa pode estender os prazos de entrega e elevar o preço de componentes eletrônicos e mecânicos na origem.

  • Compra de Insumos: A queda no preço do potássio aliada ao dólar abaixo de R$ 5,00 cria a melhor oportunidade do ano para a antecipação de contratos de fertilizantes.

  • Auditoria Fiscal: O cerco fiscal sobre créditos de PIS/Cofins demanda auditoria rigorosa das memórias de cálculo de importação para mitigar riscos de autuações automatizadas.


Bastidores do Mercado

  • - Comentam nos corredores que a crise Master/BRB virou caso de polícia com a prisão do ex-presidente Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro; a revelação de um esquema de pura camaradagem para fraudar R$ 12,2 bilhões é o novo capítulo explosivo de um escândalo que a Faria Lima já não consegue mais ignorar.
  • - Ficou no radar que o cerco fechou para as fintechs de fachada após a PF identificar uma instituição chinesa lavando R$ 1,6 bilhão para o crime organizado; o uso de plataformas de pagamento digital para movimentações bilionárias fora do radar do Banco Central deve forçar uma onda de revisões regulatórias pesadas no setor.

Agenda Econômica

  • 09:00 | Brasil | IBC-Br (Fev) — Relevância: Alta (Prévia do PIB).
  • 09:30 | EUA | Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego — Relevância: Alta.
  • 09:30 | EUA | Índice de Atividade Industrial Fed Filadélfia (Abr) — Relevância: Alta.
  • 10:15 | EUA | Produção Industrial (Mar) — Relevância: Média.
  • 17:30 | EUA | Balanço Patrimonial do Federal Reserve — Relevância: Alta.

O encerramento da última sessão consolidou o dólar em um patamar de equilíbrio precário próximo aos R$ 4,99, mas os sinais de saída de fluxo cambial e o aumento dos rendimentos das Treasuries americanas sugerem cautela. Para o gestor de importação, o dia de hoje é pautado pela divulgação do IBC-Br e dos dados de emprego nos EUA, que devem definir se o Real sustentará sua valorização ou se iniciaremos um movimento de correção técnica. A recomendação é aproveitar a estabilidade relativa do Euro para liquidação de faturas europeias e monitorar as novas diretrizes de compensação tributária da Receita Federal, que terão impacto direto na liquidez das empresas ao longo do próximo semestre.

Bom dia e bons negócios.


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