Câmbio e Moedas
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| USD/BRL PTAX (Venda) | R$ 5,0378 | +0,57% |
| USD/BRL Spot | R$ 5,0409 | +0,70% |
| EUR/BRL Spot | R$ 5,8444 | +0,17% |
| DXY (Índice Dólar) | 99,35 pts | +0,05% |
O encerramento da última sessão marcou a anulação completa do alívio técnico visto no início da semana, com o Real voltando a sofrer uma pressão vendedora contundente. O dólar spot fechou em R$ 5,0409, rompendo novamente a barreira psicológica de R$ 5,00 com força, impulsionado pela resiliência da economia americana e pela alta nos rendimentos das Treasuries. A PTAX de venda encerrou a R$ 5,0378, refletindo uma valorização de 0,57% da moeda americana no dia anterior. O Euro também acompanhou o movimento e fechou em R$ 5,8444. Para o importador brasileiro, o cenário de curto prazo indica que o Banco Central não deve intervir para segurar níveis específicos de preço, mantendo o regime de câmbio flutuante. Isso exige que o gestor abandone a expectativa de um dólar abaixo de R$ 5,00 no curto prazo e reforce as estratégias de hedge privado para proteger as margens de nacionalização programadas para junho.
Commodities
| Ativo | Preço | Variação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | 108,15 US$/barril | -2,81% |
| Ouro | 4.496,60 US$/oz | -0,22% |
| Gás Natural | 3,08 US$/MMBtu | -0,96% |
| Diesel (Internacional) | 3,93 US$/galão | -5,58% |
No encerramento da última sessão, o mercado de commodities energéticas trouxe um alívio expressivo nos preços internacionais, com destaque para a queda de 5,58% no diesel e de 2,81% no petróleo Brent. Essa descompressão lá fora, contudo, contrasta violentamente com a realidade doméstica brasileira. Enquanto o custo logístico internacional (Bunker) tende a se estabilizar com o recuo do Brent a 108 dólares, o frete rodoviário interno permanece sob pressão severa. A defasagem de 41% nos preços da Petrobras e os atrasos nos repasses de subsídios governamentais criam um risco real de desabastecimento de diesel no Brasil. O gestor de comércio exterior deve interpretar este cenário como um "alívio falso": o custo da mercadoria no porto (FOB) pode cair, mas o custo de retirada e transporte interno (last mile) deve subir drasticamente em caso de interrupção no fluxo de importação de combustíveis por players privados.
Juros e Risco
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| SELIC (Taxa Básica) | 14,50% a.a. | Estável |
| US Treasury 10Y | 4,67% | +0,95% |
| VIX (Índice do Medo) | 17,88 pts | -1,00% |
O ambiente de risco global encerrou focado na escalada persistente dos juros longos nos Estados Unidos, com a Treasury de 10 anos atingindo 4,67%. Este movimento drena liquidez de países emergentes, forçando a desvalorização do Real independentemente do patamar da Selic no Brasil. Embora o índice VIX tenha encerrado com uma retração marginal de 1,00% (17,88 pontos), isso não sugere complacência, mas sim que o mercado está precificando um custo de capital estruturalmente mais elevado. Com a Selic mantida em 14,50%, o diferencial de juros continua sendo a única âncora de suporte para o Real. Para o CFO, a alta nos juros externos torna as linhas de crédito internacionais e o financiamento de importações (como FINIMP e ACC) mais onerosos. Recomenda-se uma revisão cuidadosa do custo financeiro total da operação, comparando a liquidação antecipada com recursos próprios versus o carregamento da dívida em dólar sob as novas taxas americanas.
Notícias do Dia
- Dólar encerra sessão em alta de 0,70% — Cotada a R$ 5,04, moeda foi impulsionada pela força dos juros americanos e rompeu barreira psicológica. Fonte ↗
- Atraso nos subsídios do diesel ameaça importação — Falha governamental nos repasses pode paralisar fluxo de combustíveis e travar fretes de DTA. Fonte ↗
- Defasagem do diesel na Petrobras atinge 41% — Gap em relação ao mercado internacional é o maior em meses, aumentando risco de reajuste súbito. Fonte ↗
- Banco Central descarta intervenção cambial — Direção reafirma regime flutuante e sinaliza que não atuará para segurar o dólar abaixo de R$ 5,00. Fonte ↗
- G7 pressiona pela abertura de Ormuz — Envolvimento diplomático confirma risco real ao fluxo de cargas vindo da Ásia pelo Estreito. Fonte ↗
- TCU aprova concessão em Itajaí (SC) — Canal de acesso será modernizado para navios maiores, criando alternativa sólida ao Porto de Santos. Fonte ↗
- Acordo EUA-China eleva preços agro — Cotações de trigo, milho e soja sobem forte, encarecendo insumos para a indústria alimentícia. Fonte ↗
- MRS e terminais em Santos otimizam fluxo — Parceria ferroviária promete reduzir tempos de descarga e custos de armazenagem no porto. Fonte ↗
- Europa cede a Trump para evitar tarifas — Alívio protecionista na rota transatlântica estabiliza custos de máquinas e componentes da UE. Fonte ↗
- Debate fiscal sobre remessas internacionais — Fim de isenção deve levar a fiscalização mais rigorosa de amostras B2B e encomendas de courier. Fonte ↗
O Que Muda Para Você
Hedge Imediato: O rompimento consolidado do dólar acima de R$ 5,04 exige a revisão imediata das planilhas de nacionalização; suspenda ordens de câmbio à espera de quedas e foque em travar o hedge para faturas de junho.
Gargalo Logístico: A crise de subsídios do diesel no Brasil pode gerar falta de caminhões para coleta de cargas (DTA); considere antecipar o agendamento de transporte rodoviário em 72h para evitar multas de armazenagem.
Seguro de Carga: O envolvimento do G7 no Estreito de Ormuz sinaliza risco real de atrasos em rotas asiáticas; acione seu corretor de seguros para validar a cobertura de "War Risk" em cargas que cruzam o Oriente Médio.
Planejamento 2027: A aprovação da concessão em Itajaí oferece uma alternativa estratégica ao Porto de Santos no longo prazo; comece a prospectar agentes de carga com forte presença no terminal catarinense.
Compliance Courier: O debate fiscal sobre a "taxa das blusinhas" levará a Receita Federal a endurecer a fiscalização de remessas B2B; audite a classificação fiscal de suas remessas de amostras e peças para evitar o Canal Cinza.
Bastidores do Mercado
- Comentam nos corredores que a oficialização de Christian Egan como novo CEO da B3 não foi o "remédio" que o mercado esperava; o tombo de 5% nas ações logo após o anúncio reflete o nervosismo da Faria Lima com a troca de comando em um momento de fuga recorde de capital estrangeiro.
- Ficou no radar que o banco BS2 está em plena manobra de bastidores para ganhar fôlego no "middle market"; a criação da BBS Capital Partners sinaliza um movimento agressivo para abocanhar mandatos de fusões e estruturação de dívida que hoje fogem dos grandes bancos.
Agenda Econômica
- 15:00 | EUA | Atas da Reunião do FOMC — Altíssimo impacto: define apetite do Fed por juros.
- 09:30 (Amanhã) | EUA | Pedidos de Seguro-Desemprego — Alta relevância para a força do dólar.
- 10:45 (Amanhã) | EUA | PMI Industrial (Mai) — Mede a expansão fabril e demanda global.
O cenário para hoje é de volatilidade crescente e viés de alta para o dólar, que deve testar resistências acima de R$ 5,04 após a abertura. O foco total do mercado global está na divulgação da ata do FOMC às 15:00, que poderá reforçar a manutenção de juros altos nos EUA e pressionar ainda mais o Real. Operacionalmente, os gestores devem estar atentos aos gargalos logísticos internos causados pela crise do diesel e monitorar a valorização das commodities agrícolas, que impactam o custo FOB de suprimentos. Recomendamos priorizar a liquidação de obrigações de curto prazo para evitar o risco de novos saltos no câmbio decorrentes do noticiário americano.
Bom dia e bons negócios.
Podcast
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