Câmbio e Moedas

Ativo Valor Variação
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 4,9844 +0,30%
USD/BRL Spot R$ 4,9770 +0,50%
EUR/BRL Spot R$ 5,8420 +0,19%
DXY (Índice Dólar) 98,38 pontos -0,03%

O encerramento da última sessão consolidou uma pressão de alta no dólar spot, que fechou em R$ 4,9770, registrando um avanço de 0,50% em relação ao dia anterior. Este movimento acompanhou a valorização da PTAX, que encerrou vendida a R$ 4,9844. É importante notar o descolamento do Real frente ao cenário global: enquanto o índice DXY permaneceu praticamente estável (-0,03%), a moeda brasileira cedeu terreno, o que sugere que a desvalorização do Real ontem foi pautada por fluxos internos de saída de capital ou um ajuste técnico local. O Euro seguiu a tendência e fechou a R$ 5,8420, refletindo um reajuste após as recentes mínimas. Para o gestor de comércio exterior, embora a moeda americana ainda opere abaixo do patamar psicológico de R$ 5,00, a interrupção da sequência de quedas acende um alerta para a formação de um novo piso técnico de curto prazo. A recomendação é monitorar se o spot sustentará o suporte dos R$ 4,97; caso rompido para cima, as janelas de liquidação agressiva de câmbio podem se fechar rapidamente antes dos dados de emprego nos EUA que serão divulgados amanhã.


Commodities

Commodity Valor Variação
Petróleo Brent 94,19 US$/barril -4,36%
Ouro 4.774,70 US$/oz +1,62%
Soja 1.197,50 US$/bushel +1,96%
Milho 464,50 US$/bushel +2,37%

O mercado de commodities foi marcado por um forte descolamento entre os setores energético e agrícola no fechamento anterior. O petróleo Brent registrou uma queda severa de 4,36%, encerrando em 94,19 dólares, impulsionado pelo anúncio da prorrogação da trégua entre Estados Unidos e Irã. Este movimento traz um alívio imediato para os custos de transporte internacional, mas o cenário no agronegócio é inverso: os grãos dispararam, com o milho subindo 2,37% e a soja 1,96%. Este avanço foi pressionado pelo fim da alíquota zero de PIS/Cofins sobre insumos no Brasil, que encarece a reposição de estoques e a nacionalização de fertilizantes. O ouro subiu 1,62%, indicando que, apesar do alívio militar, investidores ainda buscam proteção em ativos reais contra a inflação estrutural. O gestor de suprimentos deve aproveitar a correção do barril para renegociar sobretaxas logísticas (bunker), mas preparar o caixa para custos de matéria-prima agrícola significativamente mais elevados na próxima safra.


Juros e Risco

Indicador Taxa/Pontos Variação
SELIC (Meta) 14,75% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,29% p.a. +0,99%
VIX (Índice de Medo) 19,15 pontos -1,79%

O rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro americano (Treasuries) encerrou em alta de quase 1% ontem, fechando em 4,29%. Este movimento reflete a resiliência da economia dos EUA e mantém o custo do capital externo elevado para as empresas brasileiras que buscam financiamento internacional. No mercado de volatilidade, o índice VIX recuou 1,79% para 19,15 pontos, sinalizando que o mercado recebeu bem as notícias de manutenção do cessar-fogo no Oriente Médio, reduzindo o prêmio de risco global de curto prazo. No cenário doméstico, a manutenção da Selic em 14,75% preserva o custo proibitivo do crédito local. Para o CFO, este cenário reforça a atratividade estratégica do FINIMP (Financiamento de Importação) e de outras linhas de crédito externo, que continuam oferecendo um spread mais competitivo do que as taxas praticadas pelos bancos comerciais internos, mesmo com a alta das taxas americanas.


Notícias do Dia

  • Trump prorroga trégua com Irã — O recuo na escalada militar no Estreito de Ormuz alivia a pressão sobre o barril de petróleo e reduz a probabilidade de novas sobretaxas de guerra no frete. Fonte ↗
  • Ataque hacker ao Banco Rendimento — Instabilidade em sistemas de câmbio e remessas para PMEs pode travar liquidações de faturas e gerar atrasos documentais críticos. Fonte ↗
  • Acordo Brasil-Alemanha — Negociações para cortar impostos bilaterais avançam; impacto direto no sourcing de máquinas e componentes de alta tecnologia alemã para modernização. Fonte ↗
  • Transporte terrestre no Mercosul — ANTT autoriza 12 novas empresas para transporte internacional, ampliando a oferta e favorecendo a negociação de fretes rodoviários na região. Fonte ↗
  • Tarifas permanentes nos EUA — CEOs preveem que o protecionismo de Trump tornou-se estrutural; empresas devem focar em eficiência para absorver custos fixos elevados. Fonte ↗
  • Liquidez na Reforma Tributária — Especialistas alertam para o risco de descasamento entre o pagamento de impostos na importação e o tempo de recuperação de créditos de IBS/CBS. Fonte ↗
  • Queda nos metais industriais — Expectativa de cessar-fogo derruba preços do cobre e níquel, abrindo oportunidade para revisão de contratos de fornecimento elétrico e metalúrgico. Fonte ↗
  • PIS/Cofins no Agronegócio — Fim da alíquota zero eleva o custo de nacionalização de fertilizantes e defensivos, demandando recálculo imediato do custo posto. Fonte ↗
  • Imposto para Data Centers — Embate entre Big Techs e fabricantes locais sobre alíquotas de importação de servidores pode alterar o custo de expansão de infraestrutura de TI. Fonte ↗
  • Just-in-case como padrão — Instabilidade geopolítica força empresas a migrar do modelo de estoque mínimo para estoque de segurança redundante para evitar paradas. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Validação de Remessas: A instabilidade sistêmica no Banco Rendimento exige que o backoffice valide o status de todas as ordens de pagamento e remessas pendentes para evitar atrasos documentais que resultem em multas de armazenagem.

  • Custos Logísticos: O recuo acentuado do Brent e de metais industriais como cobre e níquel permite a renegociação imediata de contratos de fornecimento spot e a remoção de sobretaxas de bunker marítimo aplicadas durante o pico da crise.

  • Gestão Tributária Agro: O fim da isenção de PIS/Cofins sobre insumos agroindustriais demanda o recálculo imediato do landed cost de fertilizantes e defensivos para a próxima safra, impactando a necessidade de capital de giro.

  • Logística Regional: O aumento da oferta de transportadoras terrestres autorizadas no Mercosul abre oportunidade para diversificação de rotas e busca por fretes rodoviários mais competitivos, especialmente para cargas vindas da Argentina e Uruguai.

  • Estratégia de Sourcing EUA: O cenário de tarifas protecionistas permanentes exige que importadores abandonem a estratégia de espera por quedas tributárias e foquem em ganho de eficiência operacional para absorver os novos custos estruturais.


Bastidores do Mercado

  • Comentam nos corredores que a queda de braço na venda da Braskem subiu de tom: enquanto bancos públicos tentam emplacar uma narrativa de recuperação do setor, os credores privados já tratam o negócio como uma saída defensiva desesperada para limpar os balanços e estancar o prejuízo de vez.
  • Ficou no radar que a liquidação de nomes como Reag, Will e BlueBank está deixando um rastro de destruição no mercado imobiliário; o vácuo milionário deixado por essas casas já faz gestores de fundos de tijolo perderem o sono com o risco de garantias e contratos que podem ter virado fumaça.

Agenda Econômica

  • 09:30 | Estados Unidos | Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego — Relevância: Alta (Termômetro do Fed)
  • 09:30 | Estados Unidos | Pedidos Contínuos por Seguro-Desemprego — Relevância: Média
  • 10:45 | Estados Unidos | PMI Industrial (Abr) — Relevância: Alta (Saúde da Manufatura)
  • 10:45 | Estados Unidos | PMI do Setor de Serviços (Abr) — Relevância: Alta
  • 17:30 | Estados Unidos | Balanço Patrimonial do Fed — Relevância: Alta (Liquidez Global)

O encerramento da última sessão trouxe um misto de alívio logístico com o recuo do petróleo, mas um sinal de alerta no câmbio, que ensaiou uma recuperação após as quedas recentes. O cenário de cessar-fogo no Oriente Médio é o principal motor para a descompressão dos preços de energia hoje, o que deve ser aproveitado para a fixação estratégica de custos de frete internacional. Por outro lado, o importador deve manter atenção total aos dados de emprego e atividade industrial (PMIs) nos Estados Unidos que serão divulgados amanhã, pois eles têm potencial para reverter a atual calmaria do câmbio e empurrar o dólar novamente para cima do patamar de R$ 5,00.

Bom dia e bons negócios.


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