Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 5,1395 -0,09%
USD/BRL Spot R$ 5,1412 -0,20%
EUR/BRL Spot R$ 5,8653 -0,52%
DXY (Índice Dólar) 101,16 pts +0,14%

O mercado de câmbio encerrou a última sessão com uma valorização marginal do Real, um movimento que deve ser lido com cautela pelo gestor de comércio exterior. O dólar spot recuou 0,20%, fechando em R$ 5,1412, após o Banco Central intervir diretamente através de um leilão conjugado de swap cambial e venda soberana (o casadão). Esta atuação foi fundamental para romper o suporte psicológico de R$ 5,15, neutralizando a pressão externa vinda do índice DXY, que encerrou em alta de 0,14%. Para o importador, o destaque é o Euro, que caiu 0,52%, oferecendo uma janela técnica para a liquidação de obrigações em moeda europeia. Contudo, a PTAX de venda fixada em R$ 5,1395 servirá como base de custo para as nacionalizações que iniciam esta manhã, sinalizando um alívio pontual no Landed Cost.


Commodities

Indicador Valor Variação
Petróleo Brent 77,44 US$/bbl -0,59%
Ouro 4.127,70 US$/oz -1,30%
Gás Natural 3,27 US$/MMBtu +0,43%
Diesel (Internacional) 3,04 US$/gal -1,70%

O complexo energético encerrou em terreno predominantemente negativo, o que beneficia diretamente a cadeia logística brasileira. O Brent caiu para 77,44 dólares e o diesel internacional registrou uma queda expressiva de 1,70%. O fator determinante foi a sinalização clara do Tesouro americano sobre a validade das licenças de exportação de petróleo iraniano até agosto, trazendo uma previsibilidade necessária ao mercado. No curto prazo, este recuo nos derivados deve estabilizar as sobretaxas de combustível (bunker surcharge) nas rotas marítimas. Já o ouro, que caiu 1,30%, indica uma saída momentânea de ativos de proteção, sugerindo que parte do mercado ainda acredita em uma estabilização geopolítica, apesar do aumento da volatilidade nos outros indicadores de risco.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC 14,25% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,45% -0,27%
VIX (Índice do Medo) 20,05 pts +16,03%

O dado mais alarmante para o gestor financeiro é o salto de 16,03% no índice VIX, que encerrou acima da barreira técnica dos 20 pontos. Esse movimento indica um estresse sistêmico global que costuma preceder fugas de capital de mercados emergentes. No Brasil, o foco absoluto está na divulgação da Ata do Copom nesta manhã, que deve detalhar as divergências entre os diretores sobre o futuro da taxa Selic (atualmente em 14,25%). Embora as Treasuries de 10 anos nos EUA tenham recuado para 4,45%, a alta da volatilidade sugere que o prêmio de risco no câmbio futuro pode subir ao longo do dia. Recomendamos cautela máxima em operações de hedge que dependem de volatilidade estável.


Notícias do Dia

  • Banco Central atua com leilão conjugado e dólar fecha a sessão abaixo de R$ 5,15 — A intervenção direta via leilão casadão (swap e spot) garantiu liquidez ao mercado e rompeu suportes técnicos importantes. Fonte ↗
  • Fintech XTransfer inicia operações focadas em pagamentos B2B entre Brasil e China via Pix e Yuan — A nova plataforma promete reduzir custos de spread bancário e burocracia em transações diretas com fornecedores asiáticos. Fonte ↗
  • Anfavea estuda judicializar a prorrogação das cotas de isenção para importação de veículos elétricos — O embate sobre a manutenção de cotas pode gerar insegurança jurídica e travamento de novos pedidos no setor automotivo. Fonte ↗
  • Governo define diretrizes para o Imposto Seletivo, impactando o custo de nacionalização de insumos — As novas regras do imposto do pecado dentro da reforma tributária exigem revisão imediata das alíquotas de importação previstas para 2027. Fonte ↗
  • Anac autoriza operação de voos internacionais das companhias Wamos e Air Peace no mercado brasileiro — A entrada dessas empresas amplia a oferta de belly cargo para rotas da Europa e África, favorecendo o frete aéreo de amostras. Fonte ↗
  • Porto de Vitória (Vports) expande capacidade de movimentação de carga geral sob gestão privada — O terminal surge como alternativa logística viável para reduzir demurrages frente à saturação do Porto de Santos. Fonte ↗
  • Prazo para inscrições em audiência sobre novas tarifas nos Estados Unidos encerra hoje — O movimento protecionista americano pode forçar retaliações que impactem o sourcing global de componentes eletrônicos. Fonte ↗
  • Tesouro dos EUA estipula validade da licença para venda de petróleo iraniano até agosto — A definição deste horizonte traz previsibilidade momentânea ao custo do barril e, consequentemente, aos contratos de frete FCL. Fonte ↗
  • Gigante sistemista do setor automotivo encerra atividades no Brasil após mais de seis décadas — O fechamento de unidades críticas alerta para o risco de desabastecimento de peças OEM e componentes de reposição. Fonte ↗
  • Ata do Copom detalha hoje as justificativas técnicas para a manutenção da Selic — O documento é o guia definitivo para planejar dívidas em dólar (FINIMP) versus reais nas próximas semanas. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Gestão de Câmbio: A atuação do Banco Central via leilão casadão garante maior liquidez para fechamentos de câmbio de grande volume, reduzindo o risco de slippage operacional em janelas de volatilidade.

  • Sourcing China: A entrada de novos players de pagamento em Yuan abre caminho para a redução de custos de swap e spread bancário em transações diretas com fornecedores asiáticos, contornando a triangulação com o dólar.

  • Risco Regulatório: O imbróglio judicial sobre cotas de veículos elétricos exige a antecipação de desembaraços para evitar custos de armazenagem decorrentes de possíveis liminares que travem a isenção tributária.

  • Logística Aérea: A nova oferta de carga via Air Peace e Wamos permite a cotação de rotas alternativas para a Europa e África, visando reduzir o frete de amostras urgentes e componentes de manutenção.

  • Cadeia de Suprimentos: O fechamento da grande sistemista automotiva alerta para riscos na cadeia nacional, sugerindo a revisão imediata de fontes alternativas de peças OEM para evitar paradas de linha.


Bastidores do Mercado

  • Circula no mercado que a Telefónica está avaliando seriamente reduzir sua exposição no Brasil, cogitando vender uma fatia da Vivo para concentrar esforços na sua operação europeia.
  • Mesa de operações comenta que a dança das cadeiras no Santander ganhou um novo ritmo com a indicação de Sandro Sobral para a diretoria de estudos econômicos.
  • A conversa entre traders é que o governo federal pode acelerar a pauta do Imposto Seletivo como uma cartada para compensar perdas de arrecadação em outros setores produtivos.

Agenda Econômica

  • 08:00 | Brasil | Ata do Copom — Relevância: Máxima
  • 09:15 | EUA | Variação semanal de empregos da ADP — Relevância: Alta
  • 10:45 | EUA | PMI Industrial (Jun) — Relevância: Máxima
  • 10:45 | EUA | PMI do Setor de Serviços (Jun) — Relevância: Alta

A perspectiva para esta manhã é de um mercado em busca de direção após o salto na volatilidade global indicado pelo VIX. O foco doméstico absoluto será a leitura da Ata do Copom, que definirá o sentimento do mercado em relação ao diferencial de juros. Embora o Banco Central tenha demonstrado fôlego para intervir no câmbio, o cenário externo com PMIs nos Estados Unidos pode trazer nova pressão compradora ao dólar. Recomendamos atenção aos níveis de suporte em R$ 5,14 e a utilização de ferramentas de câmbio pronto para aproveitar a liquidez residual do leilão de ontem, monitorando de perto os dados de emprego ADP.

Bom dia e bons negócios.


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