Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL Spot R$ 5,1904 +0,66%
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 5,1743 +0,68%
EUR/BRL Spot R$ 5,8861 -0,05%
DXY (Índice Dólar) 101,66 pts +0,24%

O mercado de câmbio encerrou a última sessão sob forte pressão, com o dólar spot rompendo a barreira psicológica e técnica dos R$ 5,15 para fechar em R$ 5,1904 — o patamar mais elevado dos últimos três meses. Este movimento não foi isolado ao cenário doméstico; o índice DXY avançou para 101,66 pontos, refletindo uma busca global por segurança e a precificação de juros americanos elevados por mais tempo. A PTAX de venda acompanhou a escalada, fixando-se em R$ 5,1743. Para o importador, o cenário é de alerta máximo: o custo de nacionalização imediata subiu drasticamente em 24 horas. Diretores financeiros devem reavaliar as ordens de stop-loss e considerar que a resiliência do dólar acima de R$ 5,18 altera o "floor" de preços para o planejamento do próximo trimestre. Enquanto isso, o Euro apresentou uma leve descompressão marginal, mas ainda insuficiente para compensar a deterioração do poder de compra frente à cesta global de moedas.


Commodities

Indicador Valor Variação
Petróleo Brent 75,51 US$/brl -2,04%
Diesel Internacional 3,09 US$/gal -2,11%
Gás Natural 3,21 US$/MMBtu +2,10%
Ouro 4.082,50 US$/oz -1,15%

O complexo energético encerrou a sessão com quedas expressivas no Brent e no diesel, mas os gestores de logística não devem se deixar enganar pela calmaria dos preços de fechamento. O recuo de 2,11% no diesel internacional ocorre em um momento de fragilidade extrema: a notícia de que a Rússia estuda vetar suas exportações de diesel pode reverter este alívio rapidamente, gerando um choque de oferta que impactará o mercado brasileiro, altamente dependente da importação russa. Somado a isso, o anúncio de taxas de serviço no Estreito de Ormuz introduz um novo custo fixo estrutural para o frete marítimo global. Por outro lado, o gás natural subiu 2,10%, o que encarece a matriz industrial em origens manufatureiras específicas. O ouro recuou 1,15%, mas permanece em níveis historicamente elevados, indicando que a proteção de portfólio ainda é uma prioridade para os grandes players diante da volatilidade geopolítica.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC 14,25% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,45% -0,27%
VIX (Índice de Medo) 19,13 pts -1,85%

O ambiente de risco global encerrou com uma leve retração na volatilidade, com o índice VIX recuando para 19,13 pontos, mas ainda permanecendo em um patamar de alerta próximo aos 20 pontos, o que mantém o prêmio de risco elevado. O recuo marginal no rendimento das Treasuries americanas de 10 anos para 4,45% oferece um respiro pontual para o custo do capital externo, mas não anula a aversão ao risco em mercados emergentes. No Brasil, a estabilidade da Selic mantém o foco do investidor na trajetória fiscal e, principalmente, nos dados de inflação (IPCA-15) que serão divulgados amanhã. Este indicador será o fiel da balança para definir o custo do hedge cambial via juros futuros e a viabilidade de linhas de financiamento como o FINIMP e ACC, que hoje operam com margens muito estreitas devido ao diferencial de juros.


Notícias do Dia

  • Dólar atinge R$ 5,18 — a moeda americana encerrou a sessão no maior nível desde março acompanhando o cenário externo de aversão ao risco. Fonte ↗
  • Camex aprova cota de elétricos — autorizada cota de US$ 463 milhões para importação de veículos eletrificados desmontados com alíquota zero. Fonte ↗
  • Taxas no Estreito de Ormuz — o Irã passará a cobrar por navegação comercial na rota, o que deve encarecer o bunker e seguros de carga. Fonte ↗
  • Risco no diesel russo — a Rússia estuda vetar exportações de diesel, ameaçando elevar drasticamente os custos de frete e logística no Brasil. Fonte ↗
  • Modernização da Maquila — o Paraguai atualizou seu regime para ampliar a integração produtiva e o sourcing de empresas brasileiras. Fonte ↗
  • Restrições no Drawback — indústria do cacau projeta prejuízo milionário devido às novas regras restritivas do regime aduaneiro especial. Fonte ↗
  • Custo de fronteira terrestre — burocracia gera ociosidade média de R$ 1.500 por dia para cada caminhão em rotas internacionais terrestres. Fonte ↗
  • Taxa das Blusinhas na UE — Europa implementa tributação sobre pequenas remessas a partir de julho, sinalizando endurecimento global do cross-border. Fonte ↗
  • Argentina aciona OMC — país vizinho contesta medidas antidumping brasileiras sobre leite em pó, elevando a tensão comercial no Mercosul. Fonte ↗
  • PF mira importação ilegal — operação investiga esquema milionário de importação de resíduos industriais, elevando o rigor na fiscalização de NCMs de sucata. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Gestão de Fluxo de Caixa: O rompimento do suporte de R$ 5,15 exige a revisão imediata de ordens de stop-loss e do budget de nacionalização para evitar estouros de custo no encerramento do mês.

  • Custos Logísticos: As novas taxas de navegação no Estreito de Ormuz e a ameaça de veto ao diesel russo devem ser incorporadas ao planejamento de Bunker Surcharge e tabelas de frete para o próximo trimestre.

  • Oportunidade no Setor Automotivo: A aprovação da cota de US$ 463 milhões para elétricos CKD gera uma janela de oportunidade curta; recomenda-se registrar as LIs antes que o teto global seja atingido por grandes montadoras.

  • Estratégia de Sourcing: A modernização da Maquila no Paraguai oferece uma rota de sourcing estratégica para diversificar a origem de componentes e reduzir a dependência de fornecedores asiáticos.

  • Compliance Aduaneiro: O endurecimento das regras de Drawback e a fiscalização da PF sobre resíduos elevam o rigor de compliance necessário para evitar multas aduaneiras e retenções de carga.


Bastidores do Mercado

  • O mercado está em polvorosa com a operação da PF sobre o Banco Digimais; o burburinho é que o rombo para o FGC pode chegar a R$ 60 bilhões após diversas tentativas frustradas de venda da instituição, enquanto comentam que a conexão com o império de Edir Macedo é o grande alvo do escrutínio.
  • Ficou no radar da Faria Lima a ascensão de Rafael Oliveira ao comando global da Heineken; a escolha inédita de um brasileiro para o topo da gigante holandesa gerou conversas sobre um possível foco ainda maior em mercados emergentes e novas diretrizes de capital para a operação local.
  • Mesa de operações comenta que o clima entre importadores de laticínios está tenso com a ofensiva argentina na OMC, temendo retaliações que possam afetar outros fluxos comerciais no Mercosul.

Agenda Econômica

  • 09:00 | Brasil | IPCA-15 (Mensal) — Relevância: Máxima
  • 09:30 | EUA | Núcleo do Índice de Preços PCE (Mensal) — Relevância: Máxima
  • 09:30 | EUA | PIB Trimestral (Q1) — Relevância: Máxima
  • 09:30 | EUA | Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego — Relevância: Alta
  • 17:30 | EUA | Balanço Patrimonial do Federal Reserve — Relevância: Alta

A perspectiva para esta manhã é de um mercado testando a resiliência do suporte em R$ 5,18, com viés de alta impulsionado pelo fortalecimento global do dólar. O foco operacional deve se concentrar no monitoramento das novas taxas logísticas no Oriente Médio e no risco de oferta de diesel, que podem reverter o alívio visto nas commodities energéticas ontem. Recomendamos cautela nos fechamentos de grande volume e atenção redobrada aos posicionamentos para amanhã, quando a divulgação simultânea do IPCA-15 no Brasil e do PCE nos Estados Unidos deve gerar o maior pico de volatilidade da semana.

Bom dia e bons negócios.


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