Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 4,9700 -0,76%
USD/BRL Spot R$ 4,9778 -0,03%
EUR/BRL Spot R$ 5,8191 -0,09%
DXY (Índice Dólar) 98,73 pts +0,25%

O encerramento da última sessão consolidou um alívio técnico fundamental para o importador brasileiro. A PTAX de venda, referência crucial para contratos de câmbio, fechou em R$ 4,9700, uma queda de 0,76% que remove, ao menos momentaneamente, o peso psicológico do patamar de R$ 5,00. O Real mostrou uma resiliência notável ao se valorizar tanto frente ao dólar quanto ao euro no mercado spot, ignorando o fortalecimento global da moeda americana refletido na alta de 0,25% do índice DXY. Para o gestor de comércio exterior, este movimento indica que o fluxo cambial doméstico e o diferencial de juros ainda seguram a moeda brasileira em níveis competitivos. No entanto, é prudente interpretar esse respiro como uma janela técnica de oportunidade: o mercado está limpando posições antes da Super Quarta, o que torna a liquidação de faturas e o fechamento de câmbio pronto uma estratégia defensiva inteligente para travar custos antes de possíveis novas turbulências vindas do Fed.


Commodities

Commodity Valor Variação
Petróleo Brent US$ 104,38 -3,56%
Ouro US$ 4.623,20 -1,12%
Soja US$ 1.190,75 +1,15%
Milho US$ 473,25 +2,71%

O mercado de energia apresentou uma correção necessária no fechamento de ontem, com o Brent recuando 3,56% para o patamar de 104 dólares por barril. Apesar da queda nominal, o cenário para quem opera logística internacional continua severo: o custo do barril ainda sustenta sobretaxas de bunker e fretes rodoviários elevados. Em contrapartida, observamos um descolamento agressivo no complexo agrícola. O milho saltou 2,71% e a soja avançou 1,15%, um movimento que encarece diretamente a originação de insumos e rações. Para o gestor de suprimentos, a mensagem é clara: o alívio pontual no petróleo não significa redução de custos operacionais totais. Pelo contrário, a alta dos grãos exige um recálculo imediato do capital de giro para reposição de estoques, visto que a pressão inflacionária na origem agrícola tende a ser repassada rapidamente para a cadeia de alimentos e insumos industriais.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC 14,75% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,34% +0,60%
Índice VIX 18,45 pts +2,39%

O termômetro de risco global encerrou em alta, com o VIX subindo 2,39% para 18,45 pontos, sinalizando que os investidores estão recompondo seguros contra volatilidade. Esse movimento é reforçado pela subida no rendimento das Treasuries de 10 anos nos EUA, que fecharam em 4,34%. Juros americanos mais altos exercem uma força de gravidade sobre o capital global, sugando liquidez de emergentes e mantendo o dólar estruturalmente caro. No cenário doméstico, a Selic estacionada em 14,75% mantém o Brasil como um destino lucrativo para o carry trade, o que ajuda a segurar o Real, mas estrangula o crédito interno. Para o CFO, este cenário de juros americanos em ascensão e risco global latente reforça a necessidade de buscar alternativas de financiamento como o FINIMP ou ACC, que permitem contornar as taxas proibitivas do sistema bancário brasileiro e aproveitar o custo de capital externo ainda relativamente mais barato que o CDI nacional.


Notícias do Dia

  • Lula promulga o acordo comercial Mercosul-UE — O ato conclui o processo de ratificação brasileira do tratado, dando início ao mapeamento para futura desoneração de milhares de NCMs europeus. Fonte ↗
  • PF afasta servidores da Receita Federal em operação no Porto do Rio — A ação contra corrupção deve gerar um efeito rebote de maior rigor fiscal e lentidão no desembaraço aduaneiro no terminal carioca. Fonte ↗
  • Petróleo acumula alta de 30% com guerra e torna repasse logístico inevitável — O custo do bunker e do diesel atingiu ponto de ruptura, obrigando empresas a revisarem orçamentos de frete imediatamente. Fonte ↗
  • Fertilizantes sobem até 39% no primeiro trimestre — A dependência de insumos em zonas de conflito exige diversificação de sourcing para evitar o risco de desabastecimento na próxima safra. Fonte ↗
  • John Deere lança linhas de financiamento em dólar — Estratégia de hedge natural para quem exporta, oferecendo alternativa ao crédito doméstico caro para modernização de máquinas. Fonte ↗
  • Dólar recua para R$ 4,98 mas impasse EUA-Irã mantém volatilidade — A queda pontual abre janela para fechamento de câmbio pronto antes das decisões de juros de amanhã. Fonte ↗
  • Porto de Santos atinge volume recorde e sinaliza saturação — O gargalo logístico aumenta o risco de filas de atracação e omissões de escala no terminal mais importante do país. Fonte ↗
  • Banco Inter corta projeção de taxa de câmbio para 2026 — A recalibragem das expectativas futuras impacta o valuation de estoques e estratégias de hedge de longo prazo.
  • Judicialização da Reforma Tributária gera alerta sobre créditos — Insegurança jurídica sobre o cronograma de transição pode impactar a apropriação de créditos de IVA em importações. Fonte ↗
  • China dobra exportação de veículos para o Brasil — A liderança chinesa entre os importados aumenta a pressão por novas barreiras protecionistas pela CAMEX. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Acordo Mercosul-UE: A ratificação inicia o cronograma de redução de Imposto de Importação; mapeie fornecedores europeus para renegociações futuras.

  • Lead Time no Rio: A operação da PF no Porto do Rio deve aumentar o rigor fiscal; adicione 5 a 7 dias extras no seu planejamento de desembaraço.

  • Custos Logísticos: O bunker e o diesel atingiram ponto de ruptura; revise imediatamente provisões de landed cost e suas margens de venda.

  • Risco de Barreiras: O avanço da China no setor automotivo aumenta o risco de salvaguardas pela CAMEX; considere antecipar embarques de autopeças e componentes.

  • Hedge Natural: A oferta de financiamentos em dólar por fabricantes surge como opção de proteção para quem tem receita em moeda estrangeira ou busca fugir da Selic.


Bastidores do Mercado

  • Comentam nos corredores que a queda de braço na Raízen ganhou contornos dramáticos: a empresa tenta emplacar uma nova proposta aos credores, mas o grande nó é a resistência de Rubens Ometto em ceder poder, com os bancos exigindo mudanças pesadas na governança em troca do fôlego financeiro que o grupo precisa.
  • Ficou no radar que a Cosan resolveu finalmente testar a temperatura da B3 com o IPO da Compass, que pode levantar até R$ 3,1 bilhões; a Faria Lima vê o movimento como o abre-alas para o fim da seca de ofertas, e o sucesso dessa operação está sendo tratado como o termômetro definitivo para as dezenas de empresas que seguem na fila.

Agenda Econômica

  • 09:00 | Brasil | IPCA-15 Acumulado e Mensal (Abr) — alta relevância (prévia da inflação).
  • 09:15 | EUA | Variação semanal de empregos da ADP — alta relevância (termômetro do dólar global).
  • 08:00 (Amanhã) | Brasil | IGP-M Mensal (Abr) — alta relevância (indexador de contratos logísticos).
  • 15:00 (Amanhã) | EUA | Declaração e Coletiva do FOMC — altíssimo impacto (direção dos juros globais).
  • 18:30 (Amanhã) | Brasil | Taxa de Juros Selic — altíssimo impacto (Custo do crédito nacional).

O encerramento da última sessão consolidou o dólar em patamares ligeiramente mais baixos, mas a agenda de hoje e amanhã promete testar essa estabilidade. A divulgação do IPCA-15 e dos dados de emprego nos EUA deve elevar a volatilidade no meio da manhã. O foco operacional deve ser a captura das janelas de câmbio abaixo de R$ 5,00 e o monitoramento rigoroso dos custos logísticos, que continuam pressionados pela alta acumulada do petróleo. Recomendamos atenção redobrada aos prazos de desembaraço no Porto do Rio devido às fiscalizações extraordinárias.

Bom dia e bons negócios.


Podcast

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