CÂMBIO E MOEDAS

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 4,9878 +0,36%
USD/BRL Spot R$ 4,9760 -0,47%
EUR/BRL Spot R$ 5,8219 -0,62%
DXY (Índice Dólar) 98,75 pontos +0,13%

O encerramento da última sessão apresentou uma dinâmica mista e de certa forma pedagógica para o gestor de comércio exterior. Ontem, a PTAX oficial de venda fechou em R$ 4,9878, refletindo a pressão acumulada da véspera e encarecendo as liquidações que utilizaram essa referência. Contudo, o mercado spot reagiu de forma distinta ao longo do pregão, descolando-se da inércia e encerrando em queda de 0,47%, a R$ 4,9760. O Real também ganhou musculatura frente ao Euro, que encerrou em queda de 0,62%. No cenário global, o índice DXY fechou em leve alta, o que sinaliza que a valorização do Real foi um movimento de força local e não apenas um enfraquecimento sistêmico do dólar. Para quem opera no Comex, o fechamento do spot abaixo de R$ 5,00 oferece uma janela técnica importante para execução de ordens represadas, mas a volatilidade deve escalar drasticamente nesta Super Quarta, com as decisões de juros no Brasil e EUA podendo reverter essa tendência caso o tom das autoridades monetárias seja mais rígido que o precificado.


COMMODITIES

Produto Valor Variação
Petróleo Brent 107,39 US$/barril -3,48%
Ouro 4.569,40 US$/oz -0,48%
Soja 1.193,00 US$/bushel +1,71%
Milho 476,75 US$/bushel +2,47%

O mercado de energia proporcionou um respiro importante no fechamento de ontem, com o Brent recuando 3,48% e retornando ao patamar de 107 dólares por barril. Para o gestor logístico, essa correção é um alívio pontual na planilha de fretes, embora o valor absoluto ainda se mantenha em níveis historicamente elevados, preservando a pressão sobre as sobretaxas de combustível. Em nítido contraste, o complexo agrícola encerrou a sessão em forte alta: o milho saltou 2,47% e a soja avançou 1,71%. Esse movimento descasado é perigoso para a indústria transformadora, pois o ganho cambial do dia é neutralizado pelo encarecimento da matéria-prima na origem. O cenário exige cautela no planejamento de estoques de segurança, já que a inflação de insumos alimentares segue resiliente, independente da volatilidade energética.


JUROS E RISCO

Indicador Valor Variação
SELIC 14,75% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,35% +0,42%
VIX (Índice do Medo) 17,99 pontos +0,90%

O ambiente de risco global encerrou a última sessão em tom defensivo. O índice VIX subiu 0,90% e o rendimento das Treasuries de 10 anos nos EUA avançou para 4,35%, sinalizando que o investidor estrangeiro está exigindo mais prêmio para carregar ativos antes do anúncio do Federal Reserve. No Brasil, a Selic mantida em 14,75% sustenta um custo de capital doméstico extremamente oneroso, o que coloca as ferramentas de financiamento à importação, como o FINIMP e o ACC, em uma posição de vantagem estratégica para o CFO. A alta dos juros americanos no fechamento de ontem serve como um lembrete: o dólar permanece estruturalmente valorizado no mundo, o que limita o potencial de quedas acentuadas do câmbio no curto prazo, mesmo com as projeções otimistas de bancos estrangeiros situando o Real em patamares mais valorizados para o final do trimestre.


NOTÍCIAS DO DIA

  • Ministério agiliza regime de drawback e reduz tempo de análise em 50% — A medida permite acelerar significativamente o fluxo de caixa através da suspensão mais rápida de impostos sobre insumos importados. Fonte ↗
  • Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é oficializado e passa a valer em 1 de maio — A vigência imediata exige revisão da classificação fiscal (NCM) para aproveitar reduções tarifárias já na próxima semana. Fonte ↗
  • Polícia Federal amplia operação contra fraude aduaneira de R$ 86 bilhões para o Porto de Vitória (ES) — A expansão das investigações eleva o risco de canal cinza e lentidão no desembaraço de cargas no Sudeste. Fonte ↗
  • Mato Grosso altera regras do ICMS e amplia benefícios fiscais para operações de importação no estado — O estado torna-se uma alternativa tributária competitiva para a nacionalização de mercadorias visando ganho de margem. Fonte ↗
  • Super Quarta: Mercado aguarda decisões sobre juros do Federal Reserve e do Copom na tarde de hoje — O posicionamento das autoridades ditará a tendência do câmbio e do custo do crédito para o mês de maio. Fonte ↗
  • Goldman Sachs projeta valorização do Real e estima dólar a R$ 4,90 em um horizonte de três meses — A projeção reforça a tese de janelas de oportunidade para pagamentos antecipados e revisão de hedges. Fonte ↗
  • Porto de Aracruz obtém certificação que reduz em 80% o tempo médio de liberação de cargas — A nova agilidade logística oferece uma rota estratégica para reduzir lead times e custos de estadia de carga. Fonte ↗
  • Reforma Tributária obriga tradings a revisarem modelos de negócios em operações por conta e ordem — A mudança nas regras de IBS/CBS pode impactar a viabilidade de benefícios fiscais em estruturas indiretas. Fonte ↗
  • Varejo têxtil aumenta pressão sobre o governo para equilibrar tributação das remessas internacionais — O movimento visa reduzir a assimetria competitiva entre o comércio local e as plataformas de e-commerce asiáticas. Fonte ↗
  • Custos operacionais das grandes exportadoras sobem 12% devido à combinação de commodities caras — O dado alerta que o Real forte não é suficiente para compensar a alta global de fretes e insumos industriais. Fonte ↗

O QUE MUDA PARA VOCÊ

  • Acordo Mercosul-UE: A vigência do acordo em 1 de maio exige revisão imediata da classificação fiscal (NCM) para aproveitar as reduções tarifárias já na próxima semana.

  • Agilidade no Drawback: A redução de 50% no tempo de análise do drawback permite acelerar o fluxo de caixa através da suspensão mais rápida de impostos sobre insumos.

  • Risco Aduaneiro em Vitória: A expansão das investigações da PF para Vitória eleva o risco de retenção de cargas e canal cinza no Sudeste; reforce a auditoria documental preventiva.

  • ICMS Mato Grosso: As novas regras de ICMS em Mato Grosso tornam o estado uma alternativa competitiva para a nacionalização de mercadorias visando ganho tributário.

  • Eficiência Portuária: A certificação de agilidade no Porto de Aracruz oferece uma nova rota logística para reduzir lead times e custos de estadia de carga.


BASTIDORES DO MERCADO

  • Comentam nos corredores que o Nubank está avançando firme na compra de um banco em Portugal por um motivo estratégico: o objetivo é resolver de vez o imbróglio regulatório sobre o uso do nome bank, garantindo que a marca possa operar sem restrições na Europa enquanto o roxinho prepara sua expansão global.
  • Ficou no radar que a Vinci Partners já está movimentando as peças nos bastidores para uma nova captação robusta focada no Outback; a gestora quer aproveitar o fôlego atual para acelerar a abertura de novas unidades e blindar a operação contra a volatilidade do consumo.

AGENDA ECONÔMICA

  • 08:00 | Brasil | IGP-M (Mensal) (Abr) — Relevância: Alta
  • 09:30 | EUA | Balança Comercial de Bens (Mar) — Relevância: Média
  • 11:00 | EUA | GDPNow do Fed de Atlanta (Q1) — Relevância: Média
  • 15:00 | EUA | Declaração do FOMC — Relevância: Crítica
  • 15:30 | EUA | Coletiva de Imprensa FOMC — Relevância: Crítica
  • 18:30 | Brasil | Taxa de Juros Selic — Relevância: Crítica

O mercado encerrou a última sessão com sinais de alívio no câmbio pronto, mas a PTAX oficial elevada ainda encarece os processos de nacionalização no início desta manhã. O foco operacional absoluto hoje está nas decisões de juros da Super Quarta, que devem ditar a tendência do câmbio para o mês de maio. As notícias sobre a oficialização do acordo Mercosul-UE e a agilização do drawback trazem otimismo estrutural para o comércio exterior, mas o cenário imediato ainda exige gestão rigorosa de custos logísticos devido à resiliência das commodities agrícolas. Recomendamos cautela nas operações spot até o anúncio do Fed às 15h.

Bom dia e bons negócios.


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