Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX (Venda) R$ 4,9985 +0,21%
USD/BRL Spot R$ 4,9960 +0,03%
EUR/BRL Spot R$ 5,8537 +0,10%
DXY (Índice Dólar) 98,33 pontos -0,59%

O encerramento da última sessão consolidou o retorno do dólar ao patamar psicológico de R$ 5,00, com a PTAX de venda encerrando em R$ 4,9985. Esse movimento ocorreu apesar da queda de 0,59% no índice DXY, sinalizando que a pressão sobre o Real foi ditada por fatores estritamente domésticos — com destaque para a liquidação da Frente Corretora — e pela antecipação de fluxos defensivos antes dos dados críticos de inflação nos Estados Unidos. Para o gestor de comércio exterior, o fechamento confirma que a janela de oportunidade abaixo de R$ 4,95 se fechou rapidamente. O cenário agora exige que o planejamento de curto prazo considere este patamar de R$ 5,00 como um novo piso operacional técnico, servindo de base para a formação de preços e liquidação de obrigações imediatas.


Commodities

Commodity Preço Variação
Petróleo Brent 101,38 US$/barril -14,11%
Ouro 4.642,80 US$/oz +2,15%
Soja 1.190,00 US$/bushel +0,66%
Milho 474,25 US$/bushel +1,66%

O mercado de energia encerrou a última sessão com uma correção técnica atípica e severa de 14,11%, trazendo o Brent para a casa dos 101 dólares após picos intradia de volatilidade extrema. Apesar desse recuo nominal no fechamento, o alerta global permanece elevado devido à instabilidade estrutural no Estreito de Ormuz, que continua ameaçando o abastecimento físico e sustentando prêmios de risco elevados no frete marítimo. Em contraste, o complexo agrícola e o ouro encerraram em alta, com o milho subindo 1,66%. O avanço do ouro em mais de 2% sinaliza que, independentemente da queda pontual do petróleo, o mercado financeiro segue em busca de proteção contra a escalada de riscos no Oriente Médio, o que deve continuar pressionando as planilhas de custos logísticos e de matérias-primas industriais.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC 14,50% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,42% +1,47%
Índice VIX 17,95 pontos -4,57%

O ambiente de juros registrou um fechamento com forte inclinação de alta nas taxas longas americanas, com o rendimento das Treasuries de 10 anos saltando para 4,42%. Esse movimento reflete a percepção crescente de que a inflação nos EUA exigirá juros elevados por muito mais tempo do que o previsto, o que atua como um ímã para o capital global e retira liquidez de mercados emergentes como o Brasil. Internamente, a manutenção da Selic em 14,50% preserva um diferencial de taxas ainda atrativo (carry trade), mas a pressão externa limita as chances de quedas estruturais no câmbio. O índice VIX encerrou em queda de 4,57%, sugerindo um respiro momentâneo na aversão ao risco, porém o nível absoluto de 17,95 pontos ainda exige cautela extrema em operações de longo prazo e hedge.


Notícias do Dia

  • Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Frente Corretora de Câmbio — Impacto crítico no risco de contraparte; ordens de pagamento em curso podem ser bloqueadas imediatamente. Fonte ↗
  • Colapso no Estreito de Ormuz eleva cotações prospectivas e ameaça abastecimento — O risco de guerra no Irã desintegra previsões de frete e custos de insumos químicos para o próximo trimestre. Fonte ↗
  • Dólar retorna ao patamar de R$ 5,00 após decisão do Fed e escalada no Irã — A janela abaixo de R$ 5,00 fechou com a aversão ao risco global, exigindo travamento de câmbio spot. Fonte ↗
  • Receita Federal recruta fiscais de todo o país para atuar no Porto do Rio — Endurecimento da fiscalização após operação contra propinas deve causar lentidão extrema no desembaraço. Fonte ↗
  • Mercosul e UE negociam divisão de cotas a 48 horas da entrada em vigor — Incerteza sobre cotas específicas pode gerar bitributação indesejada na nacionalização de sexta-feira.
  • IGP-M de abril salta 2,73% impulsionado por logística e guerra — Maior alta em cinco anos impacta diretamente contratos de aluguel de galpões e fretes indexados. Fonte ↗
  • Comissão da Câmara aprova restrição temporária à importação de arroz — Sinaliza aumento do protecionismo; importadores do setor devem buscar fornecedores fora do Mercosul. Fonte ↗
  • Fabricantes nacionais alertam para invasão de máquinas da China e Índia — Pressão da indústria pode resultar em novos pedidos de antidumping ou fim de ex-tarifários. Fonte ↗
  • Tesouro Nacional gera segundo maior fluxo cambial diário da história — Entrada massiva impediu que o Real sofresse uma desvalorização ainda maior frente à guerra. Fonte ↗
  • CADE recomenda condenação por troca de informações em veículos importados — Aumenta a exigência de compliance sobre formação de preços entre tradings e importadoras. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Gestão de Contraparte: A liquidação da Frente Corretora exige auditoria imediata de ordens de pagamento em curso para evitar a retenção de fundos em processos de intervenção judicial.

  • Custos Fixos: O salto do IGP-M em 2,73% demanda a revisão urgente de orçamentos de armazenagem e fretes nacionais indexados a este indicador para o próximo trimestre.

  • Logística Portuária: O endurecimento da fiscalização no Porto do Rio deve estender o lead time de desembaraço; avalie o redirecionamento de cargas críticas para Santos ou Vitória.

  • Planejamento Tributário: A incerteza nas cotas do acordo Mercosul-UE sugere cautela na nacionalização de cargas previstas para sexta-feira para evitar bitributação desnecessária.

  • Custo Bancário: A internalização massiva de dólares pelo Tesouro garante liquidez no mercado local, indicando que os spreads bancários tendem a não explodir no curto prazo.


Bastidores do Mercado

  • Comentam nos corredores que o Itaú deu um xeque-mate no mercado ao fisgar Diogo Guillen, ex-diretor do Banco Central, como seu novo economista-chefe; a movimentação é lida na Faria Lima como uma estratégia pesada para dominar as projeções e ter a leitura mais fina possível dos próximos passos do Copom.
  • Ficou no radar que a liquidação extrajudicial da Frente Corretora pelo BC disparou um sinal de alerta geral no setor de câmbio; o papo é que o "xerife" resolveu endurecer o jogo de vez, o que já faz tesourarias de bancos grandes correrem para auditar parcerias e revisar limites de contraparte.

Agenda Econômica

  • 08:30 | Brasil | Dívida Líquida e Bruta/PIB (Mar) — Alta relevância para o risco-país.
  • 09:00 | Brasil | Taxa de Desemprego (Mar) — Termômetro do consumo doméstico.
  • 09:30 | EUA | Núcleo do Índice de Preços PCE (Mar) — O dado de inflação mais importante para o Fed.
  • 09:30 | EUA | PIB Trimestral (Q1) — Medida definitiva da atividade econômica global.
  • 10:45 | EUA | PMI de Chicago (Abr) — Antecipa tendências para a manufatura americana.
  • 17:30 | EUA | Balanço Patrimonial do Fed — Indica a liquidez de dólares no sistema global.

O mercado encerrou a última sessão em um tom defensivo, consolidando o dólar próximo de R$ 5,00 e o ouro em patamares elevados de proteção. A liquidação extrajudicial da Frente Corretora e a alta severa do IGP-M adicionam riscos operacionais e de custos que não podem ser ignorados pelo gestor de comércio exterior. Com uma agenda carregada de indicadores de inflação (PCE) e PIB nos EUA às 09:30, a volatilidade deve ser extrema nesta manhã. Recomendamos cautela máxima na fixação de taxas spot e atenção redobrada ao compliance das instituições parceiras em operações de câmbio.

Bom dia e bons negócios.


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