Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL Spot R$ 5,0990 -0,74%
USD/BRL PTAX Venda R$ 5,1217 +0,08%
EUR/BRL Spot R$ 5,8490 +0,08%
DXY Index 100,67 pts -0,13%

O encerramento da última sessão foi marcado por um forte ajuste de baixa no dólar spot, que encerrou a R$ 5,0990, refletindo o alívio global após a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros inalteradas e adotar um tom de cautela. No entanto, o custo efetivo para o importador que utiliza a PTAX de venda subiu levemente para R$ 5,1217, evidenciando que, apesar do alívio pontual no mercado à vista, o custo de nacionalização oficial permanece elevado. O índice DXY fechou em queda, sinalizando fraqueza da moeda americana frente a pares globais, o que permitiu ao Real recuperar terreno técnico. Contudo, o dado de fluxo cambial de julho, que registrou saída líquida de US$ 876 milhões até o dia 24, revela que a oferta de moeda permanece restrita no mercado doméstico. Este déficit de liquidez atua como um suporte psicológico, tornando difícil qualquer queda sustentada do dólar abaixo do patamar de R$ 5,10 no curto prazo, exigindo que gestores financeiros aproveitem janelas de recuo para execuções táticas.


Commodities

Indicador Valor Variação
Petróleo Brent US$ 90,20/barril -0,60%
Ouro US$ 4.139,10/oz +2,59%
Gás Natural US$ 2,71/MMBtu -0,59%
Diesel Internacional US$ 4,16/galão -4,88%

O mercado de commodities encerrou ontem com sinais de alta tensão geopolítica, embora as variações de preço tenham sido mistas. O Brent fechou com leve recuo a US$ 90,20, mas o patamar permanece crítico após novas ameaças de ataques diretos entre Estados Unidos e Irã. Para o importador brasileiro, isso sinaliza pressão contínua sobre o bunker surcharge nos embarques de agosto. A corrida global por proteção ficou evidente na disparada de 2,59% do ouro, que encerrou em US$ 4.139,10, patamar recorde que reflete o temor de uma escalada militar. Por outro lado, a queda acentuada de 4,88% no diesel internacional traz um alívio inesperado para as planilhas de transporte terrestre, caso essa descompressão se mantenha. Setores como o químico e de plásticos devem monitorar a volatilidade do petróleo, que no momento reage mais a riscos de guerra do que aos fundamentos de oferta e demanda global.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
SELIC 14,25% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,62% +0,39%
VIX Index (Volatilidade) 19,44 pts -5,91%

O índice de volatilidade VIX fechou ontem em queda de 5,91%, situando-se em 19,44 pontos, o que sugere uma redução no estresse de curto prazo dos investidores após a postura previsível do Fed. Entretanto, os rendimentos das Treasuries de 10 anos encerraram em alta a 4,62%, o que mantém o custo de captação externa e a precificação de linhas de financiamento como o FINIMP em patamares elevados. No cenário doméstico, a estabilidade da Selic em 14,25% continua sendo a âncora que tenta segurar o capital estrangeiro, mas a persistente saída de dólares reportada pelo Banco Central mitiga o efeito de valorização do Real. Para os diretores financeiros, o nível do VIX ainda próximo de 20 pontos reforça que o ambiente de mercado permanece frágil e sensível a notícias geopolíticas, exigindo rigor no controle de limites de crédito internacional e planejamento financeiro para o segundo semestre.


Notícias do Dia

  • Dólar spot fecha em queda — O mercado reagiu positivamente à decisão do Fed de manter juros e adotar postura cautelosa. Fonte ↗
  • Petróleo opera sob pressão de alta — Ameaças de Trump ao Irã e retomada de ataques americanos elevam o risco geopolítico. Fonte ↗
  • Porto de Santos fechado — Ventos de 124 km/h forçaram o fechamento do canal, interrompendo o fluxo de cargas. Fonte ↗
  • Saída de dólares se acentua — Julho registra fluxo cambial negativo de US$ 876 milhões até o dia 24, aponta o BC. Fonte ↗
  • China ameaça retaliação comercial — Novos vetos dos EUA a robôs e inversores ampliam o risco de desabastecimento. Fonte ↗
  • Brasil Soberano 3 sem regulamentação — Programa lançado ontem carece de prazos claros para o acesso às linhas de crédito. Fonte ↗
  • Brasil é o 2º mais tarifado pelos EUA — Estudo detalha o impacto do protecionismo sobre insumos industriais nacionais. Fonte ↗
  • Parceria bilionária na Santos Brasil — Investimento do fundo Stonepeak pode alterar governança operacional no porto. Fonte ↗
  • Indústria de tintas sob pressão — Dependência de resinas importadas desafia margens diante da volatilidade. Fonte ↗
  • Sanções americanas renovadas — Trump estende restrições comerciais por mais um ano, eliminando esperança de alívio. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Logística em Santos: O fechamento do canal devido aos ventos gera interrupção imediata; prepare-se para atrasos no desembaraço e custos extras de demurrage e armazenagem.

  • Planejamento Estratégico: A renovação das sanções americanas exige que seu orçamento de 2026 considere o landed cost elevado para bens de capital e insumos dos EUA de forma permanente.

  • Gestão de Suprimentos: A retaliação chinesa amplia o risco de desabastecimento de componentes eletrônicos; revise imediatamente o frete marítimo e as sobretaxas para antecipar estoques críticos.

  • Gestão de Caixa: A falta de regulamentação do Brasil Soberano 3 impede o uso desses recursos em agosto; mantenha linhas privadas de crédito para sustentar o fluxo de pagamentos internacionais.

  • Janela Cambial: O recuo do dólar spot para R$ 5,09 abre uma oportunidade tática para realizar o fechamento de câmbio pronto de faturas que vencem nos próximos sete dias.


Bastidores do Mercado

  • Ficou no radar que as famílias controladoras do Bradesco vão abrir o bolso em até R$ 8 bilhões para um aumento de capital, um movimento visto como um voto de confiança para acelerar a reestruturação.
  • Comentam nos bastidores que a Natural One já está com o teaser na praça e avalia seriamente uma venda total, atraindo apetite de players estratégicos e fundos de private equity.

Agenda Econômica

  • 08:00 | Brasil | IGP-M (Jul) — Fundamental para reajustes de contratos de armazenagem e serviços logísticos.
  • 09:30 | EUA | PIB (2º Trimestre - Preliminar) — Termômetro central que pode elevar os juros das Treasuries e fortalecer o dólar.
  • 09:30 | EUA | Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego — Dado de alto impacto para a volatilidade imediata do câmbio.

A perspectiva para hoje é de volatilidade atrelada à digestão dos dados de PIB e emprego nos Estados Unidos, que servirão de baliza para o câmbio após a decisão do Fed. No front operacional, o fechamento do Porto de Santos devido ao clima é a prioridade imediata, exigindo monitoramento constante das janelas de atracação e custos de estadia. O alívio visto no dólar spot deve ser aproveitado para necessidades urgentes, visto que o fluxo cambial negativo e a renovação das sanções americanas mantêm o viés de pressão estrutural no longo prazo. Recomendamos cautela na exposição a componentes de alta tecnologia vindos da China e dos EUA, priorizando a segurança de estoque frente à escalada das tensões comerciais globais.

Bom dia e bons negócios.


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