Câmbio e Moedas

Indicador Valor Variação
USD/BRL PTAX Venda R$ 5,1717 +0,04%
USD/BRL Spot R$ 5,1665 -0,08%
EUR/BRL Spot R$ 5,8873 +0,08%
DXY (Índice Dólar) 101,35 pts +0,24%

O mercado de câmbio encerrou a última sessão em um movimento de lateralidade técnica, com o dólar spot fechando em leve queda a R$ 5,1665, enquanto a PTAX de venda encerrou o dia com uma variação marginal positiva de 0,04 por cento, cotada a R$ 5,1717. Este cenário reflete uma resiliência notável do Real frente ao cenário externo, visto que o índice DXY avançou globalmente, impulsionado pela busca por segurança dos investidores antes da bateria de dados de emprego nos Estados Unidos que dominará o restante da semana. Para o gestor de comércio exterior, o fechamento ontem indica uma estabilidade temporária no custo de nacionalização, mas a pressão ascendente no DXY sugere que o suporte próximo aos R$ 5,16 será testado agressivamente. O Euro, por sua vez, encerrou com leve alta, mantendo o custo de importações da zona do euro em patamares elevados e exigindo cautela na liquidação de faturas matinais.


Commodities

Insumo Valor Variação
Petróleo Brent US$ 73,92 +1,05%
Ouro US$ 4.042,20 +0,49%
Gás Natural US$ 3,24 +1,73%
Diesel (Internacional) US$ 3,13 -5,95%

O destaque absoluto no fechamento das commodities ontem foi a queda expressiva de 5,95 por cento no preço internacional do diesel, que encerrou a sessão a 3,13 dólares por galão. Este recuo, em forte contraste com a alta de 1,05 por cento no petróleo Brent, sugere uma descompressão direta nas margens de refino e uma maior oferta de derivados no mercado global. Para o gestor de comércio exterior, esse dado é fundamental, pois sinaliza uma tendência de alívio nos fretes internacionais e sobretaxas de combustível (bunker surcharge) no curto prazo. Simultaneamente, o ouro e o gás natural fecharam em alta, indicando que, embora os custos energéticos diretos para transporte estejam cedendo, os insumos industriais e a busca por proteção contra a inflação global permanecem ativos no radar dos investidores, elevando o custo de produção em matrizes energéticas baseadas em gás.


Juros e Risco

Indicador Valor Variação
Taxa SELIC 14,25% a.a. Estável
US Treasury 10Y 4,37% -0,46%
Índice VIX 17,58 pts -0,40%

O ambiente de risco global apresentou um encerramento mais tranquilo ontem, com o índice de volatilidade VIX recuando para 17,58 pontos. A queda simultânea nos rendimentos das Treasuries de 10 anos para 4,37 por cento reflete uma expectativa de mercado menos agressiva quanto aos próximos passos do Federal Reserve, o que favorece o fluxo de capital para emergentes. No plano doméstico, a manutenção da Selic em 14,25 por cento continua a garantir um diferencial de juros atrativo para o Real, servindo como uma âncora que impede uma desvalorização mais acentuada da moeda frente ao dólar. Diretores financeiros devem observar que este cenário de juros longos americanos em queda cria uma janela oportuna para a negociação de linhas de crédito externas e financiamentos à importação (FINIMP), dado o menor prêmio de risco exigido pelos credores internacionais no fechamento da última sessão.


Notícias do Dia

  • Iene atinge menor valor em 40 anos — A desvalorização extrema da moeda japonesa reduz drasticamente o custo de aquisição de máquinas e eletrônicos oriundos do Japão. Fonte ↗
  • Governo abre crédito de R$ 550 milhões para diesel — Subsídio visa estabilizar o preço interno do combustível, impactando diretamente o frete rodoviário de nacionalização. Fonte ↗
  • STF amplia alcance da Cide — Decisão eleva o custo efetivo de remessas ao exterior relacionadas a royalties e serviços técnicos internacionais. Fonte ↗
  • Tarifas suspensas para leite em pó — Mesmo com irregularidades identificadas, governo suspende proteção, facilitando a entrada do produto importado.
  • UE eleva tarifa do aço para 50% — Medida protecionista na Europa pode gerar desvio de fluxo de aço global para o mercado brasileiro. Fonte ↗
  • Fim da guerra fiscal do ICMS — Unificação de alíquotas deve forçar a escolha de portos por eficiência logística e não mais por benefícios estaduais. Fonte ↗
  • Antaq prorroga consulta sobre Santos — Atraso na definição da dragagem impacta futuras taxas de infraestrutura e calado do principal porto do país. Fonte ↗
  • BH Airport expande cargueiros — Aeroporto de Confins consolida-se como alternativa estratégica aos hubs saturados de São Paulo. Fonte ↗
  • Receita Federal em reunião do Mercosul — Encontro no Paraguai foca na simplificação de despachos aduaneiros e harmonização de regimes entre os países. Fonte ↗
  • B3 lança derivativos de IPCA e PIB — Novos instrumentos permitem o hedge contra a inflação doméstica, protegendo a margem de quem repassa custos de importação. Fonte ↗

O Que Muda Para Você

  • Aproveite o Iene: A desvalorização histórica da moeda japonesa permite que importadores de componentes e máquinas japonesas renegociem tabelas de preços ou alterem a moeda de faturamento para reduzir o custo final de aquisição em até 20 por cento em termos relativos.

  • Estabilidade Logística: O subsídio governamental de R$ 550 milhões ao diesel deve segurar as tabelas de frete rodoviário de nacionalização de cargas, permitindo uma previsão mais precisa do custo logístico de last mile nas planilhas de desembolso do próximo trimestre.

  • Revisão de Royalties: A ampliação da Cide pelo STF exige a revisão imediata de contratos de transferência de tecnologia e licenciamento, pois o custo efetivo das remessas para o exterior ficará mais caro pela incidência tributária facilitada.

  • Redesenho da Malha: A unificação das alíquotas de ICMS na importação indica que as empresas devem priorizar portos pela proximidade geográfica e qualidade do terminal (como Confins ou Santos), em vez de focar apenas em benefícios fiscais de estados como ES ou SC.

  • Oportunidade no Aço: O aumento das tarifas de aço na Europa pode saturar o mercado brasileiro com excesso de oferta global que seria destinada à UE, criando uma oportunidade de compra de curto prazo antes de possíveis reações da Camex.


Bastidores do Mercado

  • O zum-zum-zum na Faria Lima é que a Azzas 2154 já está preparando o terreno para o IPO da Farm lá fora; a leitura é que a marca carioca ficou grande demais para o guarda-chuva da fusão e a listagem nos EUA seria a saída estratégica para destravar o valor que o mercado ainda não enxergou no papel aqui.
  • Comentam nos corredores que a Cogna decidiu ir com tudo para cima do setor de antecipação de recebíveis escolares; a tacada de assumir o controle total do Educbank por R$ 46 milhões mostra que o grupo quer dominar o fluxo financeiro das instituições de ensino, transformando o business de educação em uma operação de fintech de larga escala.

Agenda Econômica

  • 08:30 | Brasil | Dívida Bruta/PIB (Mai) — Alta relevância para o prêmio de risco no dólar.
  • 11:00 | EUA | Ofertas de Emprego JOLTS (Mai) — O Fed monitora este número de perto para calibrar os juros.
  • 14:30 | Brasil | Evolução de Emprego CAGED (Mai) — Sinaliza a força da demanda por bens importados no varejo.
  • 09:15 (Amanhã) | EUA | Empregos Privados ADP — Principal prévia do Payroll e define a tendência do câmbio.

A perspectiva para esta manhã é de um mercado monitorando o suporte do dólar próximo a R$ 5,16, com a agenda doméstica concentrada nos indicadores de dívida pública e emprego. O cenário externo traz um alívio operacional importante com a forte queda nos preços internacionais do diesel, o que deve ser aproveitado para a revisão de orçamentos logísticos. Contudo, o alerta técnico para o Iene e a decisão tributária do STF sobre a Cide sugerem que gestores de comércio exterior devem focar na revisão de custos tributários e de fornecimento asiático. A volatilidade deve se acentuar a partir das 11:00 com os dados de emprego nos Estados Unidos, que ditarão o tom para o fechamento deste primeiro semestre.

Bom dia e bons negócios.


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